Um olhar abrangente ao sujeito dependente químico

     Discutir e cuidar do dependente químico na atualidade é encará-lo dentro de um modelo biopsicossocial de saúde.

     Estudos recentes ainda apontam que há baixos índices de sucesso no tratamento, sendo a recaída — o retorno ao uso de substâncias psicoativas — muito comum. Não existe um modelo de cuidado que serve para todos os pacientes.

     Ao falarmos de tratamento, é preciso considerar duas etapas primordiais: a desintoxicação e a manutenção.

     A desintoxicação é a abstinência do uso da(s) substância(s).

     A manutenção é fazer uso das ferramentas necessárias para manter a abstinência: psicoterapia, grupo de autoajuda, atividade física, retorno ao convívio sociofamiliar e, psiquiatra, caso haja necessidade de uma intervenção medicamentosa.

     É preciso adotar uma perspectiva abrangente, dinâmica, sob um contexto biopsicossocial e ajudar o indivíduo a ser comprometido dentro do processo de saúde.

     É notório o crescimento do consumo de substâncias psicoativas a partir da segunda metade do séc. XX, configurando-se como uma questão de saúde pública.

     A dependência química acompanha o indivíduo por toda a vida; é uma doença que não tem cura, mas tem tratamento. Acredito que este seja um dos grandes desafios de quem trabalha na área: ajudar o paciente a compreender que a doença é crônica, incurável e fatal.

     Não basta identificar e tratar os sintomas, mas sim os motivos que levam o indivíduo a experimentar, intoxicar-se e se tornar um dependente. É um processo que gera transtornos comportamentais, cognitivos e fisiológicos e causa problemas familiares, sociais, financeiros, profissionais, entre outros.

Discutir o cuidado a um dependente químico na atualidade é olhá-lo de uma maneira integral e fazer com que ele seja ativo dentro de todo o processo saúde/doença, onde há o reconhecimento de fatores hereditários, psicossociais, culturais e ambientais.

     A própria Organização Mundial da Saúde – OMS (2001) declara que a dependência química deve ser tratada simultaneamente como doença médica crônica e como um problema social.

     Portanto, olhar e cuidar do dependente químico é saber que existe um contexto amplo, que vai além da substância em si.

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