Transtorno de uso de substância (TUS) na adolescência

Segundo o ECA, no Brasil, classifica-se adolescente o indivíduo entre 12 e 18 anos. Já para a OMS é entre 10 e 19 anos e a ONU classifica entre 15 e 24 anos (EISENSTEIN, 2005). Este é um momento de diversos questionamentos e dúvidas, em que este adolescente, muitas vezes, não tem o amadurecimento necessário para realizar a tomada de decisão frente ao uso de substância (TEIXEIRA, TOLEDO, 2019).

A adolescência é marcada como um período de transição, no qual o indivíduo tem expectativas e, consequentemente, sente-se frustrado por não atingir o objetivo por falta de maturidade, levando-o a ter uma crise de identidade, que é um fator relevante para o uso de substância. Há também o fator social, no qual o indivíduo pode sofrer influência dos amigos e familiares; busca a aceitação e exemplo desses, vendo também como uma forma de socializar e possibilitar que o adolescente acredite ter controle frente às dificuldades que se apresentam (TEIXEIRA, TOLEDO, 2019).

A adolescência é uma fase transicional de criança para a identidade adulta, em que o indivíduo entra em conflito e passa por descobertas, identificação do corpo, identidade como pessoa no meio social, além de outros aspectos físicos e psicológicos, nos quais o adolescente é classificado como indivíduo de conflitos, podendo afetá-lo diretamente em suas relações sociais e familiares (SCADUTO, BARBIERI, 2009).

Falar de adolescência, na atualidade, é também falar dos papéis realizados pela família e sociedade, em que a família deveria ser um fator de proteção e exemplo, na prevenção ao uso de substâncias psicoativas. As mudanças que vêm ocorrendo no mundo tecnológico e no que se refere aos valores sociais e morais acabam gerando dificuldades e insatisfação para os adolescentes, no ambiente em que convivem, o que, consequentemente, traz dificuldades a todos em relação a limites. Quando se fala de limites, regras e exigências, essas podem não ser elaboradas e organizadas de forma coerente frente às relações interpessoais (SCADUTO, BARBIERI, 2009; TEIXEIRA, TOLEDO, 2019).


As mídias sociais têm um papel importante, frente ao consumo de substâncias psicoativas, principalmente na adolescência, o que gera uma preocupação, visto que transmitem a mensagem do consumo de forma positiva, a qual os adolescentes podem interpretar como uma forma de se sentirem aceitos, dentro de um padrão pré-estipulado. Já, perante a lei e os programas de saúde pública, o consumo de substância alcoólica é trabalhado de forma a ser combatido dentro da faixa etária da adolescência (PECHANSKY, SZOBOT, SCIVOLETTO, 2004; TEIXEIRA, TOLEDO, 2019).

Conforme descrevem Pechansky, Szobot e Scivoletto (2004), o uso de substâncias traz, de forma evidente, “[…] consequências orgânicas, comportamentais e na estrutura de desenvolvimento da personalidade do jovem[…]”. Outro ponto destacado pelas autoras é a precocidade do uso dos adolescentes, os quais podem gerar um risco maior e com consequências graves conforme descrito acima. Por isso, também é ressaltado pelas autoras que os profissionais que trabalham neste segmento precisam identificar, com perspicácia, as características de cada indivíduo, a manifestação física, psíquica e social de forma singular e ter embasamento teórico/prático sobre a dependência química na adolescência.

Autores: André Luis Granjeiro, psicólogo clínico especialista Dependência Química UNIAD/UNFESP e Eadred de Lima – Psicóloga Anhanguera FAC3

Referência bibliográfica

EISENSTEIN E. Adolescência: definições, conceitos e critérios . Adolesc Saude. 2005;2(2):6-7. Disponível em: http://www.adolescenciaesaude.com/detalhe_artigo.asp?id=167#:~:text=No%20Brasil%2C%20o%20Estatuto%20da,os%2021%20anos%20de%20idade%20(. Acesso em: 21 fev. 2020
PECHANSKY, Flavio; SZOBOT, Claudia Maciel; SCIVOLETTO, Sandra. Uso de álcool entre adolescentes: conceitos, características epidemiológicas e fatores etiopatogênicos. Rev. Bras. Psiquiatr., São Paulo , v. 26, supl. 1, p. 14-17, Mai 2004 . Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462004000500005&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 21 Fev. 2021. https://doi.org/10.1590/S1516-44462004000500005.
SCADUTO, Alessandro Antonio; BARBIERI, Valéria. O discurso sobre a adesão de adolescentes ao tratamento da dependência química em uma instituição de saúde pública. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro , v. 14, n. 2, p. 605-614, Abr. 2009 . Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232009000200029&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 21 Fev. 2021. https://doi.org/10.1590/S1413-81232009000200029.
TEIXEIRA, Lorena Contin; TOLEDO, Jaqueline Duque Kreutzfeld. Fatores e motivação para o consumo de bebidas alcoólicas na adolescência. Revista Científica Fagoc – Multidisciplinar, Uba, v. 1, n. 4, p. 82-91, 2019. Disponível em: https://revista.unifagoc.edu.br/index.php/multidisciplinar/article/view/536/435. Acesso em: 21 fev. 2021.

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