Religião e espiritualidade no trato da Dependência Química

     Primeiramente, é importante pensarmos que naturalmente todo ser humano já nasce com uma grande necessidade de algo maior. E isso podemos saber facilmente, estudando qualquer história sobre a origem de qualquer civilização, por mais simples que seja.

      E devo dizer que religião e espiritualidade são questões muito importantes dentro do processo de recuperação na dependência química. Até arrisco dizer, que sem essa compreensão não é possível encontrar uma base sólida. E, com isso, não quero dizer que seja obrigatório seguir uma religião, mas, sim, é que, dentro do dilema que cada adicto vive, o desenvolvimento e fortalecimento de uma crença em algo maior é a base do processo.

     Vejamos.

     A palavra religião vem do latim e significa religar, no sentido de ser um sistema para religar o homem a algo maior, ou seja, um caminho com ofícios e doutrinas. E, na maioria das vezes, esse caminho vem por meio de costumes, culturas e/ ou ancestralidade. Em outras palavras, o que determina a religião de cada pessoa geralmente é sua origem.

     Desse olhar, quero chamar a atenção para alguns pontos. Primeiro que, diante de tantas religiões em um mundo tão grande, é impossível que só uma traga o caminho verdadeiro. É mais provável que sejam caminhos diferentes para pessoas diferentes, que levam para o mesmo destino. Caminhos esses que são o de ajudar o indivíduo a praticar ensinamentos, que tragam paz e entendimento da sua própria existência, ou seja, que tragam espiritualidade.

     Espiritualidade é o que vem depois da religião, em um sentido de paz interior. É quando os pensamentos, ações e sentimentos estão em harmonia. Em outras palavras, é quando os pensamentos já não são destrutivos e as ações seguem esses pensamentos. E, como resultado, sentimentos como o de culpa ou vergonha desaparecem.

     No tratamento da dependência química, não precisamos de prisões, castrações, pecados, culpas e nem um Deus punitivo e cruel. Precisamos, sim, de amor, compreensão, acolhimento, compaixão, entendimentos das diferenças e, mais do que tudo, um poder maior que seja bondoso, amoroso, benevolente e muito misericordioso.

Parceiros