A dependência química representa hoje um dos maiores desafios enfrentados por profissionais de saúde de todo o mundo. A busca por dados e evidências científicas que garantam respostas cada vez mais eficazes ao tratamento continua em constante processo de construção.

Hoje a inexistência de acompanhamento online da evolução de um processo de recuperação, além da dificuldade de se conseguir dados estatísticos para tomada de decisão prejudicam o trabalho dos profissionais da saúde para direcionamento do melhor tratamento de um dependente químico.

Por que é tão difícil mudar?

Esse é o titulo de um livro que tem aberto muito a minha mente quando falamos sobre a criação da jornada de recuperação do paciente com transtornos mentais, mais especificamente, pacientes com TUS (Transtorno Por Uso de Substâncias).

Conforme o prefácio, escrito pela Mary Marden Velasquez, PH.D, um dos maiores desafios para ajudar os clientes a mudar os comportamentos em saúde é adaptar-se criativamente às complexidades da mudança intencional. As pessoas mudam de comportamentos (ou não) por uma variedade de razões pessoais e sociais.

A mudança intencional pressupõe o envolvimento e colaboração do indivíduo para realizar e manter a mudança. Interessante notar que esse processo de mudança é relevante para o entendimento dos diferentes padrões de mudanças que o indivíduo pode vivenciar: gerar novos comportamentos, modificar comportamentos já existentes ou cessar padrões problemáticos de comportamentos.

Cada dependente químico estabelece uma relação diferente com a droga e cada dependente apresenta necessidades diferentes. Isso acontece porque a dependência química resulta da interação de vários aspectos da vida do indivíduo: biológico, psicológico e social. Desse modo, as intervenções devem ser diferenciadas para cada indivíduo e devem considerar todos os aspectos envolvidos. Não existe, assim, um tratamento único para a dependência química.

A dependência química é uma doença que interfere em todos os aspectos da vida do paciente dependente. A interrupção do uso da droga é apenas um primeiro passo de um o processo de tratamento que pode durar em média de 1 a 5 anos. O tratamento do paciente dependente deve ser planejado buscando-se não somente interromper o uso da droga, mas visando a reinserção do paciente em novas atividades sociais, profissionais, familiares e a prevenção de recaídas.

Como a dependência afeta vários aspectos da vida do paciente ela demanda uma abordagem multidisciplinar por uma equipe composta ao menos por médicos, enfermeiros, psicólogos, neuropsicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e outros profissionais.

Estágios Motivacionais

Um elemento crítico e determinante no processo de mudança diz respeito às tarefas que necessitam ser realizadas para que a mudança de comportamento se inicie e se sustente ao longo do tempo.

Cada estágio representa um conjunto de tarefas que permite construir bases para uma mudança bem-sucedida. A motivação para tratar a doença varia no paciente com uma dependência. Pode-se encontrar o paciente dependente em uma de seis fases (Clementi, Prochasca, 1983).

Recaídas

O caminho para o sucesso na mudança de comportamento é obter sucesso em criar um novo comportamento. A recaída é um evento que representa uma tentativa falha de mudar e indica uma aprendizagem inadequada e problemas na conclusão das tarefas de mudança.

As recaídas sinalizam que algo no processo de tratamento da dependência esta errado ou não foi bem executado. Fazem com que o paciente, a família e o terapeuta ou a instituição pensem nas próprias falhas e comecem tudo de novo, reconhece o psiquiatra Dartiu Xavier, coordenador do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad) da Universidade Federal de São Paulo.

A recaída é uma parte vital do processo de mudança, representando o que se chama de aprendizagem por aproximação sucessiva, no qual os indivíduos aprendem com as suas falhas a maneira de atingir o objetivo de mudança, mediante a aprendizagem d como concluir corretamente todas as partes do processo (Carbonari, DiClemente, & Sewell, 1999; DiClemente, 2003).

Os processos de mudanças que permitem estabelecer o foco nas atividades de enfrentamento do cliente, também contribuem para uma visão dinâmica da mudança.

O desafio para todas as intervenções em psicoterapia e em saúde pública é abordar o processo de mudança do paciente e adequar a intervenção às tarefas motivacionais (estágios) e às atividades de enfrentamento (processos), a fim de que os pacientes obtenham sucesso na recuperação de adicções e de problemas de saúde ou na promoção de comportamentos saudáveis e redução de riscos a saúde.

André Almeida

Fontes:

https://crr.medicina.ufmg.br/saber-sobre/quais-tipos-de-tratamento

http://abrafam.org.br/recaida-o-fracasso-do-tratamento/

https://www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/2019/08/a-crise-da-saude-mental-no-brasil.shtml

https://amenteemaravilhosa.com.br/modelo-transteorico-de-mudanca/

https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-da-saude/departamento-de-psiquiatria-cria-aplicativo-para-auxiliar-medicos/

https://www.unodc.org/lpo-brazil/pt/frontpage/2020/06/relatrio-mundial-sobre-drogas-2020_-consumo-global-de-drogas-aumenta–enquanto-covid-19-impacta-mercado.html

https://www.globenewswire.com/news-release/2020/02/20/1988216/0/en/Drug-Addiction-Treatment-Market-To-Reach-USD-31-17-Billion-By-2027-Reports-And-Data.html

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