PERCEPÇÃO DA RELAÇÃO FAMILIAR ENTRE FILHOS DEEPENDENTES QUIMICOS E SEUS PAIS

PARTE 2

METODOLOGIA

Tipo de Estudo Participantes

A pesquisa segue numa linha qualitativa, quantitativa e analítica. Foram participantes do estudo, 30 pessoas de ambos os sexos, compostos por quinze famílias, divididos em 2 grupos, quais sejam, filhos usuários de substancias psicoativas, e no outro grupo, suas respectivas mães, sendo Pai n= 1 (6,66%), Mães n=14 (93,34%), Filhos n=10 (67,67%) e Filhas n=5 (33,33%). Todos encontravam-se internados em instituição de tratamento para dependência química. As idades dos participantes da pesquisa compreendiam dos 18 anos aos 72 anos.

Instrumentos

Foi utilizado para a coleta de dados um questionário semiestruturado contendo 8 perguntas, com a temática dependência química e relação familiar, elaborado pela autora do artigo junto com o orientador, e um gravador da marca Sony ver. 3.2, para o armazenamento do banco de dados. Foi aplicado o mesmo questionário para os dois grupos.

Procedimentos Éticos

O projeto foi cadastrado na plataforma Brasil e aprovado pelo comitê de ética em Pesquisa em Seres Humanos da Universidade do Vale do Sapucaí – UNIVÁS, a saber, Parecer Consubstanciado CAAE: 14823219.9.0000.5102 (Anexo II). As entrevistas foram iniciadas após o termo de Consentimento Livre e Esclarecido ter sido assinado pelos participantes (Anexo I).

Procedimento para coleta de dados

Após o rapport e esclarecimento de como seria a pesquisa e cuidados éticos, foi iniciado as entrevistas. As informações coletadas foram individuas, sendo o local na própria instituição onde as famílias encontram seus filhos em tratamento, e com os pacientes, sendo no mesmo local. O tempo médio das entrevistas foi de 12 minutos á 53 minutos. O material gravado foi transcrito na integra no formato Bloco de Notas e preparado como banco de dados, sendo logo em seguida os áudios excluídos.

Procedimentos para análise de dados

A análise de dados contou com a ajuda do software Iramutec, trata-se de um software que faz análise textuais por meio do software Interface de R pour lês Analyses Multidimensionnelles de Textes et de Questionnaires (IRAMUTEQ). Quanto às análises realizadas pelo Iramuteq, destaca-se que este viabiliza diferentes tipos de análise de dados textuais, desde a lexicografia básica, que abrange, sobretudo, a lematização e o cálculo

de frequência de palavras, até análises multivariadas, com destaque para a Classificação Hierárquica Descendente (CHD), a Análise Fatorial de Correspondência (AFC) e a análise de similitude, além da nuvem de palavras. Os resultados obtidos foram relacionados com a teoria das representações sociais, que visa compreender a informações e percepções que as pessoas criam com o movimento que ocorre em torno de si, desta forma analisando simbolicamente esses fenômenos diante de suas representações.

RESULADOS

Os resultados sob a análise de conteúdo pelo softwere Iramuteq são apresentados em figuras, sendo constituído corpus geral por trinta textos separados em 953 segmentos textuais, com aproveitamento de 800 segmentos, sendo 83,95% de aproveitamento textual. O conteúdo analisado foi categorizado em cinco classes.

Figura 1 – Dendograma de Análise de Perfil

Diante do Dendograma de Análise de Perfil acima, observa-se 5 classes, divididas em ramificações (A, B e C) subcorpus total em análise. Cabe aqui denominar as classes, sendo a classe 1 “O mundo da dependência e suas consequências”, classe 2 “Ressentimentos entre pais e filhos”, classe 3 “Relacionamento Familiar”, classe 4 “Histórico familiar transpassado pelo uso das drogas”, classe 5 “sentimentos mistos e antagônicos”. A classe 1 (23,8%) e a classe 4 (23,2%) estão no subcorpos A, são classes que traz questões sobre o início das drogas, o quanto isso interferiu sobre sua vida, trazendo a questão sobre antes e depois das drogas, as duas classes que mais se evidencia- se sobre a análise textual. A classe 5 (21,4%) no subcorpos B, traz a ideia de mudanças, de evoluir, uma vida melhor, que ainda podem ter esperança no melhor. As classes 2 (14%) e 3 (17,6) no subcorpos C, são evidencias tão importantes quanto, pois o interessante é que falam de mudanças no subcorpos anterior, porém quando se fala sobre relacionamento familiar dizem que foi bom, mas que também tudo que aconteceu trouxe- lhes consequências.

Figura 2 – Dendograma de Palavras

Neste segundo dendograma (Figura 2), emergem as palavras mais ditas pelos participantes da pesquisa. Nele destacam-se a palavras que se repetem em vários discursos trazendo assim uma similaridade nas respostas do questionário. Por mais que sejam pessoas diferentes, de lugares diversos, porém a problemática os aproxima no discurso. Observa-se melhor neste dendograma sobre as classes 3 e 5 suas contradições, sobre ter bom relacionamento, todavia, querer que as mudanças ocorram, pois a classe 2 aponta consequências causadas, o que pode ser visto na representação das palavras que caracterizam tais consequências sobre o uso de drogas. A evidência maior aponta para o sofrimento que lhe é causado pelas consequências. É possível ver nas classes 1 e 4, como também a questão socioeconômica muda com esse novo momento familiar, e aparecem falas como “dinheiro e gastar”.

Figura 3 – Dendograma de Análise Fatorial por Correspondência

No Dendograma de Análise Fatorial por Correspondência (Figura 3), foi possível realizar após o esquadrinhamento a incidência das palavras e as classes. Observa-se que as palavras se distribuem do centro do quadrante total para pontos periféricos. As classes 1 e 4 permanecem em seus quadrantes apresentando separação significativa das classes, porém as classes 3 e 5 se entrelaçam, retomando a ideia contraditória, e a classe 2 faz presença em todos os quadrantes, demonstrando que tudo que fazem tem suas consequências sendo consciente ou inconscientes.

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