Não é a primeira vez que a humanidade passa por uma epidemia. Dentre elas, podemos citar a Gripe Espanhola (1918-1920), a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS, sigla do inglês, Severe Acute Respiratory Syndrome) (2002-2003), a Gripe A- H1N1 (2009-2010) e o Ebola (diversos surtos: 1976; 2014-2016; 2018-2019). O isolamento social prolongado imposto, atualmente, pelo novo coronavírus (COVID-19) parece estar aumentando os níveis de estresse da população, reduzindo as taxas de bem-estar mental e aumentando as prevalências de Transtornos de Ansiedade e de Transtornos Depressivos, observados em cerca de 29% e 33% dos indivíduos, respectivamente. Estima-se que tais sintomas possam durar até 4 a 6 meses após o término do isolamento social e parecem ser mais frequentes entre os adultos jovens (21 a 40 anos). Além disso, tem-se percebido um aumento expressivo do consumo de álcool em diversos países durante a pandemia do COVID-19. Um estudo chinês, publicado esse ano, demonstrou que 4,4% das pessoas tinham problemas relacionados com uso de álcool antes da pandemia e, após o seu início, esse índice aumentou para 11,4%.

No Brasil, infelizmente, o cenário não parece ser diferente, já que algumas cidades como Belo Horizonte, por exemplo, reportaram aumento de 50% na venda de destilados quando comparado com igual período de 2019. Tal fato é preocupante, já que o aumento do consumo de álcool, geralmente, traz consigo maiores índices de violência doméstica, mais impulsividade e mais comportamentos de risco. Ademais, o álcool prejudica nosso sistema imunológico, o que pode dificultar as nossas defesas contra uma possível infecção pelo coronavírus.

Outro dado a ser destacado é que a pandemia gera uma série de medos, ansiedades e incertezas. Esse cenário é um campo fértil para a propagação de fake news. Desse modo, escutamos estarrecidos notícias como as que ocorreram no Irã. Lá, 300 pessoas morreram por ingestão de bebidas alcoólicas contaminadas (a maioria com metanol, que é uma das substâncias mais perigosas do álcool de cozinha) após divulgação falsa de que a ingestão alcoólica poderia eliminar o COVID-19.

Mas e o que podemos fazer para auxiliar as pessoas que estão tendo problemas com álcool durante a pandemia? Felizmente, mesmo em um momento de tanto sofrimento e medos, existem ações solidárias e lugares onde se podem buscar auxílio terapêutico. Diversas associações de psiquiatras e psicólogos estão participando de campanhas solidárias, que visam dar orientações e informações gratuitas para a pessoa ou para o seu familiar que estejam necessitando. Além disso, os grupos de mútua ajuda como o AA (Alcoólicos Anônimos), NA (Narcóticos Anônimos), Nar-Anon, Al-Anon, Amor Exigente também estão realizando grupos online de modo gratuito. Outra boa notícia é que foi aprovada, durante o período da pandemia, a telemedicina e a telepsicologia. Desse modo, mesmo aqueles que não puderem ou não quiserem comparecer às consultas presenciais devido ao risco de se infectar com o coronovírus, as mesmas poderão ser realizadas de modo virtual. Enfim, se é verdade que ninguém escolhe ter problemas com álcool (já que é um transtorno do cérebro, que indivíduos que possuem uma vulnerabilidade para tal podem desenvolvê-lo), também é verdade que podemos escolher pedir ajuda.

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2 comentários em “Pandemia do COVID-19 e Uso de Álcool”

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