Quero deixar neste artigo o meu ponto de vista sobre um fenômeno que com o passar dos anos ganhou força e muita aderência junto a sociedade brasileira e principalmente entre os jovens: O simbolismo nefasto da maconha na sociedade contemporânea.

A aculturação da maconha como sendo um aspecto perverso de influência social me causa bastante inquietação. A cultura canábica construiu sua narrativa a partir de um lugar de fala que justificaria o uso de uma substância psicoativa como um símbolo de ruptura com as normas e regras sociais vigentes. Um resgate alienado de uma ideia ultrapassada que ficou retida no tempo, mais precisamente em meados da década de 60 e no decorrer da década de 70 do século passado.

Recentemente, em uma conversa com o amigo Piti Hauer, colunista desta revista, ele trouxe esta observação: “…existe uma tentativa de ainda hoje utilizarem o argumento do uso da maconha como forma de ir contra o sistema vigente.”

Claro que poderíamos problematizar mais esta reflexão, mas quero ir direto ao ponto: “Estão reutilizando uma narrativa ideológica ultrapassada como pretexto para tornar o consumo da maconha, uma droga de abuso e ilícita, em um direito que simbolize a LIBERDADE. No entanto, trata-se na verdade de uma estratégia sorrateira de não seguirem as normas, regras e padrões sociais que não são convenientes para desejos puramente individualistas daqueles que buscam um estilo de vida desconectado da realidade objetiva dos fatos.”

A liberdade de escolhas é e deve continuar sendo um direito individual e inalienável mas não pode ser utilizado como forma de querer impor aos outros, e no caso a imensa maioria da sociedade, uma verdade que só faz sentido para uma pequena minoria.

Ao revisitar o passado, décadas de 60 e 70 do séc. XX, me deparo com eventos e falas que foram requentadas nos últimos anos em nosso país. Jovens que não viveram a história e que também não estudaram a História, foram corrompidos desde cedo por este atual modelo educacional permissivo, liberal e enviesado ideologicamente.

Jovens doutrinados que se tornaram Black blocks e antifas de ocasião. Garotos e garotas que estão cada vez mais antiquados em suas lutas e que não perceberam ainda que seus sonhos, de fato, podem não ser estes pelos quais acreditam estar lutando. Talvez consigam acordar quando pararem de fumar maconha e começarem a ir de encontro com a realidade objetiva dos fatos. Os nossos jovens foram influenciados tão negativamente nos últimos anos que perderam a capacidade até de reinventar a história, de buscar seus próprios sonhos e ideais.

Uma minoria autoritária e sem bom senso, busca de forma insana e inconsequente implantar uma ideologia descompromissada com os reais anseios de uma sociedade saudável. A busca por direitos e o respeito a dignidade humana deve ser consenso para todos os indivíduos que estão inseridos no nosso contexto sociocultural e é INADMISSÍVEL que alguns grupos queiram monopolizar esta narrativa, como se fossem os guardiões da liberdade, acreditando serem os novos mártires da república e detentores do pleno saber. Isto é um equívoco tão grosseiro, que chega a ser antiquado.

Este tipo de postura e de comportamento me lembra café requentado: perde o sabor e deixa de ser uma experiência boa e prazerosa. Torna-se outra coisa, empobrece e danifica a essência do café. Os jovens contemporâneos foram iludidos com a experiência de um café requentado.

A maconha tem retirado a essência dos nossos jovens e eles tem se transformado em “outra coisa”. Nada de errado as pessoas quererem exercer o seu sagrado direito de liberdade de opinião e até buscarem colocar em prática suas ações, no entanto, existe o outro lado da mesma moeda que diverge frontalmente deste tipo de pensamento e opinião que quer simplesmente negar o óbvio.

Há evidências científicas suficientes que comprovam a natureza exata dos prejuízos à saúde mental e os desdobramentos negativos na vida social, na produtividade laboral e intelectual de usuários contumazes da maconha, principalmente quando este tipo de comportamento se inicia ainda na infância, pré-adolescência ou adolescência e se prolonga para a vida adulta.

A desinformação causada pelas narrativas ideológicas que agridem a realidade com o objetivo de distorcê-la, criaram nesse período recente um ambiente mais propício para a relativização do consumo da maconha e desta forma uma parcela significativa da população desconsidera as evidências sobre os danos causados ao psiquismo das crianças e adolescentes que consomem esta droga, que não é leve.

Um espaço, cada vez maior, vem sendo ocupado pela ideia da diminuição da percepção dos riscos associados ao uso da maconha, uma substância psicoativa que que modifica, aumenta, inibe ou reforça as funções fisiológicas, psicológicas ou imunológicas do organismo de maneira transitória ou permanente podendo causar o surgimento da dependência química e riscos para o surgimento de patologias severas a saúde mental.

Se um dia liberaram para comercialização legal as drogas como o álcool e o tabaco, e hoje sabemos o MAL que isto trouxe para toda a sociedade com a destruição de famílias e a degradação dos indivíduos que desenvolveram doenças como o Alcoolismo, para que então liberar mais uma droga de abuso?

É comprovado que quanto mais facilidade de acesso existe para um determinado tipo de droga, maior será o seu consumo e, consequentemente, haverá um aumento no número de casos com problemas relacionados a este consumo.

Do meu ponto de vista, esta lógica é tão incoerente quanto perversa e como estratégia vem funcionando e, principalmente os jovens, são os mais contaminados por esta falsa sensação de segurança ao usar esta droga psicoativa de abuso.

Um forte abraço

Ivanildo de Andrade
Psicólogo Clínico
Especialista em Saúde Pública

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