Não ter o discernimento entre o certo e errado, escolher a família ou a volta ao uso (recaída), não ter habilidades de enfrentamento para agir de forma adequada, ou até mesmo não saber exatamente se as ações estão em acordo com o contexto em que vive.

Isso tudo torna-se um grande acúmulo de incertezas que levam a pensar o quanto as comorbidades ou qualquer outro quadro desse indivíduo a analisarmos de forma mais abrangente, mas importante, de que forma os freios morais fazem parte da vida desse dependente químico. Neste caso só se tornam um grande alicerce para a recuperação do indivíduo.

De acordo com o acompanhamento de vários casos clínicos por alguns anos, noto que a maioria dos pacientes que entendem a complexidade do seu núcleo familiar que fazem o respaldo da valorização da figura de filhos, esposas, maridos, se fortalecendo em recuperação de que a palavra “ser” responsável pelos outros e por si, traz um estado de felicidade e prazer o qual o distancia do mundo da adicção.

Desta forma, este indivíduo tem a consciência de sua realidade e passa a executar as suas responsabilidades, evoluindo para uma autonomia, onde entender uma vida cotidiana com as dificuldades enfrentadas, não são mais um motivo de volta ao uso. É lógico que não se descarta uma rede de proteção para dar suporte a este indivíduo, é extremamente necessária.

O importante é lembrarmos que o freio moral deve ser aplicado a maneira simples de viver a sua realidade, resgatando seus valores, crenças, costumes do contexto em que está inserido, desta forma proporcionando o resgate de laços afetivos e de maior comprometimento com ele, com os seus familiares e pessoas de seu convívio.

Vejo que o dependente químico que ao invés de sair para o uso de substâncias, ele faz a escolha de ficar em casa cumprindo com seu papel social, tem uma maior eficácia em sua abstinência. E também aquele indivíduo que volta pra casa depois de um dia de trabalho, satisfeito, sem uma crença permissiva, conseguindo o quanto é gratificante estar ao lado de pessoas que realmente fazem parte da sua vida, do que voltar ao ambiente hostil do “bar”, traz um sistema de recompensa muito maior do que qualquer substância.

Acredito muito nas práticas das habilidades sociais em eliminar distorções e principalmente acima de tudo motivar o dependente químico que o quanto mais perto da realidade ele estiver de sua vida cotidiana, executando seus papéis sociais e aplicando o freio moral, mais ele estará longe da volta ao uso (recaída).

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