O EFEITO DO EXERCÍCIO AERÓBIO NO CÉREBRO E NA FUNÇÃO COGNITIVA EM INDIVÍDUOS COM DEPENDÊNCIA QUíMICA

O exercício aeróbio é definido como: habilidade de realizar movimentos físicos por longos períodos de tempo e com a utilização predominante dos mecanismos de degradação completa dos substratos energéticos a partir da utilização predominante do oxigênio. Assim, as adaptações orgânicas do sistema cardiorrespiratório em decorrência do treinamento aeróbio são refletidas principalmente por valores mais elevados de VO2 máx, que têm sido associados a melhorias em diversos parâmetros de saúde, bem como no funcionamento cerebral e cognitivo.

Os exemplos mais comuns de exercícios aeróbios incluem caminhada, corrida, natação ciclismo, remo, surf e entre outros.

Porém, os efeitos agudos do exercício aeróbio (ou seja, imediatamente após a cessação do exercício) demonstraram incluir aumentos na oxigenação do córtex pré- frontal (PFC) associado a um maior controle inibitório e melhoria da memória, atenção e processamento da velocidade de entendimento em usuários de múltiplas drogas. Da mesma forma, os usuários de metanfetamina que se exercitaram em uma bicicleta estacionária exibiram melhorias posteriormente, como melhor controle inibitório específico da droga, redução da fissura e aumento da atividade cerebral na área envolvida no monitoramento de conflito e inibição.

Portanto, o exercício físico aeróbio, tem se mostrado uma ferramenta terapêutica eficaz e promissora para indivíduos com dependência química. Sendo que da mesma forma que o exercício físico é recomendado para o tratamento de outras doenças, a neuroplasticidade promovida pelo exercício aeróbio pode indicar sua utilidade como potencial tratamento adicional para indivíduos dependentes de drogas.

Especificamente, esses benefícios podem ser observados em áreas do cérebro relacionadas ao controle executivo, como as áreas envolvidas na inibição do comportamento de busca de drogas e impulsividade, bem como na tomada de decisão sobre o consumo de drogas.

Além disso, os dependentes químicos que melhoram seus níveis de condicionamento físico aeróbio, podem melhorar a função e a cognição no córtex pré-frontal.  Deste modo, esses benefícios devem melhorar a capacidade do um indivíduo de inibir o comportamento de consumo de drogas quando exposto a estímulos ambientais e, consequentemente, sua capacidade de manter a abstinência.

Portanto, torna-se essencial para o sucesso do tratamento de dependência química considerar o papel de um programa de treinamento aeróbio completo e eficaz, que respeite a individualidade biológica e mental de cada indivíduo. Assim como, a sua relação pregressa de prática de exercício físico durante sua vida.

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