O Desprazer no prazer

O uso de substâncias químicas sempre esteve presente na história do homem, em todas as culturas e civilizações. O homem sempre procurou alterar seu estado de consciência em ritos espirituais, conservação de tradições e também em busca do prazer.
Atualmente acompanhamos e vivemos um agravamento no uso abusivo de substâncias, com números cada vez maiores de pessoas que adoecem com a dependência química.


Pensando na lógica de que muitos usam e alguns se tornam dependentes, devemos sempre questionar o que aconteceu na história do sujeito que o levou a se anular completamente em nome deste uso.
Avaliando que o vício na substância começa pelas sensações prazerosas trazidas pela droga, pode se pensar que a dependência se instala apenas pelos prazeres químicos. Mas será que este prazer é capaz de sustentar e suprir a dor da perda da autonomia, dos cuidados e das relações sociais e familiares?

Constatando que o prazer biológico se perde rapidamente e o aumento da tolerância às doses impede que nada se iguale a primeira experiência do uso, devemos analisar: O que mantém a dependência senão o prazer?
Podemos pensar que a substância no dependente ocupa o lugar da possibilidade de fugir de frustações ou de obter emoções das quais o mesmo não acredita mais conseguir experimentar sem o uso. O problema do dependente já não é apenas a droga, mas sim a relação representativa que fora estabelecida com ela. Não é mais pelo prazer em usar é a impotência perante a doença que o move.
É necessário chegar ao núcleo da doença, entender a função da compulsão e trazer a reflexão de que o sofrimento que o dependente sustenta no uso não é maior que os prejuízos emocionais e sociais.


Devemos levar o usuário a se perceber e conseguir dar novos significados a este escape desprazeroso mascarado de prazer.
Parar de consumir a substância de escolha é apenas o primeiro passo e talvez não seja o maior desafio, se propor a se compreender, suportar as adversidades da vida sem fugir delas é um ato difícil, mas não impossível. A responsabilidade sobre sua própria vida e sua sobriedade começa na coragem de enfrentar seus próprios fantasmas.

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