Internação Compulsória e Involuntária

Dicas do Daniel

Como deve ser feita a internação involuntária ou compulsória do dependente químico?

A dependência química assola o mundo há quase um século destruindo pessoas, famílias e até países inteiros. Atualmente com a proliferação em massa do COVID, que se tornou uma pandemia mundial causando crises sanitária, política e econômica, além do isolamento social. Agravou-se os índices de depressão, desejo de suicídio, transtornos psicóticos, relações interpessoais tóxicas, abalos emocionais e um aumento expressivo do número de casos de dependência química.

Embasado nesse cenário o Relatório Mundial sobre Drogas 2020, realizado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), aponta a população mundial ainda mais vulnerável ao estresse, à ansiedade e ao medo, promovendo a elevação do consumo do álcool, dos remédios e das substâncias ilícitas.

Um grave problema surge na hora de escolher uma clínica de tratamento especializado ou um hospital psiquiátrico quando se agrava a dependência para quadros patológicos irreversíveis.

Nessa hora a informação faz toda diferença.

Diante deste cenário, Daniel Garcia, criador e gerente do Portal e Revista “Dependência Química & Saúde Mental”, elaborou uma série especial de instrução e análise sobre essas entidades de internação e acolhimento, composta por dicas e estratégias a fim de esclarecer as mais frequentes dúvidas a respeito das internações e acolhimentos no momento em que a família se encontra vulnerável e em total desespero.

Acompanhe:

Procedimentos necessários para a internação do dependente químico.

A internação involuntária é um direto da família, sancionada pelo presidente da república Jair Bolsonaro em 5 de junho de 2019.
O primeiro procedimento é o laudo de um médico responsável ou por um agente de saúde ou o pedido de um juiz, no caso de uma internação compulsória (ordem judicial/compulsória). Situações que apenas podem ser feitas quando o dependente perdeu o total controle do uso das substâncias e coloca em risco a sua própria vida.

O pedido de internação dá o direto à equipe de remoção ,composta geralmente por um enfermeiro padrão ou um técnico de enfermagem, realizar o resgate com um veículo adaptado ou, também, descaracterizado, a fim de garantir total discrição tanto do paciente quanto da família, quando houver necessidade.

É preciso analisar caso a caso
É muito importante a família conhecer a unidade onde o dependente químico irá se tratar. Neste universo de clínicas e unidades terapêuticas há muita clandestinidade. Há lugares que tratam o paciente de maneiras inadequadas, sem proporcionar um tratamento exitoso. Caso essa avaliação não seja feita há riscos de se cair em ciladas armadas por unidades que visam apenas o lucro. Conclusão: em pouco tempo, a família está novamente procurando por uma nova opção de tratamento.
Isso acontece quando a família está assustada numa procura desesperada por clínicas, por vezes sem verificar as questões legais, se a unidade está realmente apta a atender com a autorização da vigilância sanitária, se há alvará de funcionamento. P or vezes veem apenas as fotos e uma lista de cronograma inexistente.
É imprescindível conhecer a estrutura terapêutica para a internação involuntária e conhecer os profissionais, os internos olhar a estrutura e só depois, então, fazer a escolha certa.

As questões de valores variam muito. Há unidades que atendem pelos convênios médicos. Importante lembrar que a internação involuntária ou compulsória já determina urgência e emergência, pois todos os dependentes químicos estão em correndo risco de vida tanto pelo uso como pelas consequências das substâncias.

Regulamentadas pela Lei Federal 10.216/2001, há dois tipos de internação que podem ser utilizadas no tratamento de um dependente químico: internação involuntária e compulsória.

O tratamento voluntário acolhe o paciente de livre e espontânea vontade. A comunidade terapêutica recebe o paciente que admite ter um problema sério com dependência química e procura ajuda, aceita o tratamento. Neste caso, existe a liberdade do paciente ir embora caso queira.

A internação compulsória é diferente. O paciente só sai após a alta médica, depois de concluir o período determinado de tratamento e de avaliação do médico responsável e da equipe multidisciplinar.

O que é importante analisar antes de escolher a clínica especializada
O primeiro item a ser avaliado é a documentação que garante à família a análise da vigilância sanitária que certificou que tudo está dentro das leis, que há uma estrutura eficiente com médicos e uma equipe responsável. Então, após a família escolher a clínica, é importante verificar a documentação por meio do CNPJ. Na sequência, mesmo com as limitações dos protocolos da pandemia, é aconselhável visitar o local.

A qualificação dos profissionais envolvidos no processo de reabilitação
Os profissionais empenhados no tratamento precisam ser especializados. Absolutamente todos os profissionais, seja qual for a função, médico, terapeuta, psicólogo, monitor, coordenador, terapêutico de grupo e individual, psicólogo, coordenador de pátio, todos precisam ter uma capacitação específica em dependência química. É recomendável que essa capacitação tenha o reconhecimento de instituições regulares, legítimas como o Ministério da Cidadania e da Saúde, para garantir um fundamento legal na habilitação do profissional.

O apoio após a saída do dependente químico

A volta do paciente é uma etapa muito importante. Sem um pós-tratamento há uma grande probabilidade do paciente voltar ao uso das substâncias. É preciso oferecer apoio, e isso leva tempo. Por ser difícil, muitas vezes sozinho é o paciente não consegue.

Pós-tratamento
“IMPORTANTÍSSIMO”
Há instituições que já têm uma estrutura de pós- tratamento que reinsere o paciente aos poucos na sociedade por meio de trabalho, estudo, com aproximações cautelosas com a família. Mas não é uma obrigatoriedade da clínica. Se a clínica não dispuser, a família pode procurar um lugar onde trabalhe apenas com o pós-tratamento.

De olho nos erros mais comuns na hora de escolher o local da reabilitação

Quando a família procura no Google uma clínica, a resposta aparece sem qualificação porque ela oferece primeiramente sites de captadores que pagam para aparecerem nos primeiros lugares. Muitos não têm conhecimento e nem preparo para a uma abordagem qualificada. O foco maior é a comercialização simplesmente. Sendo assim, o Google é um perigo para quem precisa de um tratamento sério, efetivo em dependência química. O certo é procurar alguém que realmente conheça o assunto e pedir uma assessoria.

Outro erro gravíssimo da família é achar que nenhuma clínica é boa porque já tentaram de tudo. É bem provável que as escolhas foram erradas porque as clínicas escolhidas não disponibilizavam um serviço adequado. Por isso é fundamental que a família conheça, com antecedência, como é o funcionamento de uma clínica especializada no caso de uma internação, seja involuntária ou compulsória.

Quando as pessoas vão comprar um carro, observam todos os detalhes, se está conservado, se a lataria está nova, se os bancos são confortáveis. Clínica tem que ser a mesma coisa. Tem que olhar tudo, ficar por dentro do assunto, participar e fazer uma internação com qualidade; caso contrário, precisarão encontrar alguém que o faça.

Outro erro gravíssimo: pedir sugestão de tratamento a uma pessoa que conhece um paciente que teve um tratamento exitoso. As pessoas são diferentes. O tratamento de dependência química é plural e precisa ser personalizado. O que dá certo para um paciente não necessariamente vai dar certo para o outro. É como um cego guiar outro cego.

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