Historia do AT no mundo – parte 1

Gostaria de salientar que esta matéria, foi produzida e elaborada juntamente com alunos do curso de AT em DQ em campinas – SP Cooredenado pelo Psicologo Especialista em DQ, Sr. André Luis Granjeiro CRP 06/144060

Alunos do curso de AT em DQ
Danyelle Argemira Guimarães Fernandes, graduando o 6 semestre em Psicologia na UNIP Campinas -SP
Samuel de Souza Ferreira , graduando o 10 semestre, em Psicologia pela Anhanguera Educacional FAC 3 Campinas – SP

História da “Loucura”

A “loucura” permeia os caminhos do ser humano desde tempos remotos. Os primeiros casos relatados datam de épocas que perpassam por diversos historiadores. Há registros desde o período Neolítico, passando pelos primeiros anos da era cristã. Registros de casos de endemoniados, portadores de moléstias congênitas e síndromes, cujos destinos estavam fadados ao completo abandono ou a formulação de exorcismos para retirar a causa maligna desses males. Esse cenário delineia-se até meados da era clássica grega já que são vistos como seres fantásticos capazes de predizer o futuro, sujeitados a tratamentos que induziam ao vômito para o reequilíbrio dos fluídos corporais. Em terras árabes, os primeiros hospícios, verdadeiros depósitos de carne humana começam a ser delineados. Em meados das primeiras décadas do ano de 1200, ergue-se o Hospital Bethlem, em Londres cujos pacientes são constituídos de pessoas rejeitadas pela sociedade vigente além de doentes mentais e criminosos. As pessoas eram enjauladas para virarem atrativo de pessoas incautas em busca de diversão sobre a dor alheia. Conforme salienta Foucault:

“É também ao mundo moral, que pertence a loucura do justo castigo. Ela pune, através das desordens do espírito, as desordens do coração. Mas tem outros poderes: o castigo que ela inflige multiplica por si só na medida em que, punindo, ele mostra a verdade. A justiça desta loucura consiste no fato de que ela é verídica. Verídica, pois o culpado já experimenta, no turbilhão inútil de seus fantasmas, aquilo que será para todo o sempre a dor de seu castigo.” (FOUCAULT, 1972)

Na idade das trevas, no auge da Santa Inquisição, o pensamento sobre os atos próprios do ser humano é enevoado por uma visão perversa, condenatória e extremamente arbitrária. Nesse contexto, tudo o que destoava de seus dogmas, incluindo os próprios doentes mentais além de deficiências visuais, auditivas e físico-motoras eram levados aos tribunais e encaminhados aos calabouços de tortura ou mesmo à fogueira para a remissão dos pecados e purificação, pois disfuncionalidades de qualquer espécie eram castigos divinos.

Com a ascensão das primeiras luzes do Iluminismo, o pensamento científico ressurge, voltando-se para a racionalidade e causalidade. Pinel inicia seus estudos sobre o tratamento moral, vendo a doença mental como distúrbios das funções intelectuais (funções superiores do sistema nervoso). Identificando a loucura, denominada alienação, com três causas ligadas a fisiologia dos pacientes, a hereditariedade e as causas morais como hábitos e costumes, paixões entre outros. O tratamento moral consistia em estabelecimentos de rotinas e regras estabelecidas, medicação, trabalho e lazer. Na verdade, Pinel foi o primeiro a iniciar um pensamento que daria origem à reforma psiquiátrica. Já nas terras brasileiras, em 1841 é assinado por Dom Pedro II, o decreto para o primeiro hospital para doentes mentais sendo o hospital inaugurado onze anos depois. Hospital esse que dará origem a outras instituições que seguirão os mesmos passos do isolamento, da rotina rigorosa e medicamentosa e das intervenções como lobotomias e eletroconvulsoterapia até as primeiras luzes das reflexões sobre as funcionalidades e determinantes de tratamentos dessa natureza e a urgência no tratamento da saúde mental através de vias humanizadas e eficazes, considerando o indivíduo em todas suas abrangências biopsicossociais e espirituais. Além do entendimento sobre o bem estar psíquico e físico ser de responsabilidade pública com o estabelecimento de políticas públicas que permitam a todos ter acesso a tratamentos que garantirão esse equilíbrio. Nas próximas publicações, veremos a história da mudança do paradigma da saúde mental, baseado na institucionalização de vidas e histórias, aprisionando sonhos por longos anos. E entenderemos como surge a figura do acompanhamento terapêutico, que surgirá como um grande divisor de águas no restabelecimento e reabilitação psicossocial e do direito à cidadania de todos que necessitam de ajuda para esse intento.

Na proxima edição desta revista iremos comentar mais uma peça deste quebra cabeça da historia do AT. Iremos comentar sobre a LUTA ANTIMANICOMIAL …. O segredo esta na próxima ……

Bibliografia

FOUCAULT, M. História da loucura na idade clássica. São Paulo: Perspectiva, 1978.

SIMÕES, C. H.D. A produção científica sobre o acompanhamento terapêutico no brasil de 1960 a 2003: uma análise crítica. Campinas, SP: [s.n.], 2005.

Disponível em:

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/acervo/linha-do-tempo-a-loucura.phtml

https://melkberg.com/2018/09/21/historia-da-loucura-loucos-do-seculo-xix-evolucao-da-psiquiatria/

http://www.ccms.saude.gov.br/hospicio/text/bio-pinel.php

https://www.museumoflondonprints.com.image/139488/william-hogarth-baldwin-cradock-a-rakes-progress-1735

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