Fé dos pais, apatia dos filhos

“Não quero interferir sobre religião, quando ele for adulto, fará suas pró-prias escolhas!”
Com certeza você conhece muitos pais que revelam esse tipo de argumento quando são perguntados sobre qual o caminho pretende oferecer aos seus filhos. Sobre esse tema, três considerações são importantes, para dar um norte aos pais, tanto na prevenção como em situações em que tenham que lidar com a dependência.

Primeiro, não existe religião que detenha o poder de evitar ou impedir que seu seguidor não use substâncias ilícitas. Isto pois não é próprio da religião ser esse fiscal que diligentemente observa seus adeptos para saber se fazem o bem ou o mal. A problemática da dependência química não pode ser atribuída nem aos religiosos nem aos que não aderem a nenhum tipo de fé. É algo mais complexo, mais profundo.

Segunda consideração importante é que os filhos sempre farão escolhas, sejam boas ou ruins. É da natureza do ser humano escolher, exercer seu arbítrio, nem sempre livre, para decidir sobre onde, como e com quem ir. Mesmo que recebam uma forte carga educacional e de presença constante dos pais, chega um momento da vida dos filhos que eles irão decidir. Infelizmente, às vezes, contra tudo para o qual foram guiados.

Uma terceira consideração é que, quando falamos de espiritualidade, faz bem nos lembrar que se trata de algo individual, que não pode ser transferido, que não se amarra em tradições nem a opções familiares. A fé espiritual é algo que cada uma precisa encarar e posicionar.


Que alternativas sobram então aos pais no processo de formação espiritual de seus filhos? Uma vez que a fé não pode ser transferida, como dinheiro, ou bens materiais, ela precisa ser incentivada, motivada e possuir um poder de encantamento. Sim. Motivada, pelo convívio sadio, por reflexões sinceras. Incentivada, pois gostemos ou não, eles irão decidir e, antes que tomem caminhos desconfortáveis, precisamos incentivar ao que julgamos correto. Encantamento, pois espiritualidade é uma experiência dinâmica, que se traduz em vida plena. Que motivação eles terão se nossa relação com a espiritualidade é marcada pela reclamação, inconstância, indiferença, reclamações, etc, ? Que incentivo terão para escolherem permanecer em nossa estrada se as coisas são feitas apenas pela obrigação, pelo medo, pela imposição, pela crítica aos outros e pela falta de sensibilidade para com o próximo? Por isso é necessário encantamento!

Há um aspecto importante para refletir: uma boa espiritualidade é sim grande possibilidade de evitar decisões complicadas e danosas. É preciso avaliar a própria espiritualidade como pai e mãe. Da mesma forma que a fé e espiritualidade são elementos presentes na vida dos que se recuperam das decisões e comportamentos inadequados pelo uso de drogas. Incentivar desde cedo pode ser um investimento a longo prazo na vida de filhos.

Famílias são o primeiro espaço onde alguém aprende e desenvolve espiritualidade. É importante que cada família pratique e desenvolva a espiritualidade!

Everson Lopes da Silva

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