Seja sincero comigo, qual seria sua reação se alguém lhe oferecesse por um preço módico uma garrafa com um produto mágico que resolvesse todos seus problemas de saúde, de dor de cabeça, passando por diabete até a melhora da COVID-19. Tentador, né? Nesse caso, você teria duas opções. Ou você chamaria esse cara de mentiroso e charlatão, ou simplesmente você sairia daquela situação com 3 garrafas debaixo do braço contente e satisfeito.

Como tenho certeza que você é uma pessoa inteligente, dotada de senso crítico, a sua reação seria a primeira, desconfiar desse vendedor. E de imediato perguntaria: “Ora bolas, para cada problema de saúde que tenho eu preciso de um remédio diferente. Como que pode apenas um remédio tratar de tantas doenças ao mesmo tempo?” Com certeza o vendedor ficaria encurralado com essa pergunta, mas ele não desistiria de você tão fácil, e como apelo final então falaria que com a mesma substância daria para produzir tijolos para construção de casas populares. Nessa altura do campeonato não tenho dúvida que você já teria deixado o vendedor falando sozinho pensando como é possível alguém acreditar nessa mentira. Não é verdade? Mas acredite meu amigo, esse vendedor existe e ele está vendendo essa “garrafa”, e o produto que está dentro dessa “garrafa” se chama “maconha medicinal”. E sabe o pior? Tem muita gente acreditando no seu papo, e se a gente bobear, logo a “maconha medicinal” estará nas prateleiras das farmácias e supermercados.

Por isso, é necessário que falemos desse assunto para desfazer as mentiras que estão sendo contadas pelo lobby da maconha. Eles têm falado que a maconha medicinal precisa ser legalizada já que ela serviria para combater ou ajudar no tratamento dos seguintes problemas: redução de dor, controle de espasmos, melhora de apetite, anti vômito, qualidade do sono, anti-inflamatório intestinal, combate a depressão, ansiedade, esquizofrenia, dependência de heroína, dependência do crack, alívio da pressão no glaucoma, síndrome de Tourette, acne, diabete, artrite, Parkinson, Alzheimer e COVID-19. Além, óbvio, de servir de matéria prima para fazer tijolos. Senhores, de acordo com o lobby nós não estamos diante de uma substância química qualquer, mas sim, diante de um “elixir mágico” que vai resolver todos os problemas da humanidade: da doença a moradia, passando por comidas e suplementos vitamínicos. O triste disso tudo é que a maioria das pessoas estão acreditando nesse discurso que é repetido de maneira massiva na televisão, universidades e mídias em geral. As pessoas não conseguem enxergar quão ridículo e absurdo é pensar que apenas uma substância pode atender tantas demandas, elas não conseguem enxergar o interesse comercial e político por detrás dessa falácia. Mas então, qual é a verdade? O que dizem as autoridades competentes?

A verdade é que a maconha possui cerca de 500 substâncias químicas, e apenas uma, o CBD (canabidiol) tem propriedade medicinal comprovada. E para fazer remédio a base de canabidiol devemos isolar essa substância das demais, fumar a maconha ou ingerir seu óleo só vai piorar a situação, principalmente por causa do THC, a substância que vicia e causa alucinação. As outras 499 não servem para o uso médico e podem desencadear a dependência química do usuário, além problemas sérios de saúde como: intoxicação, câncer de pulmão, câncer de laringe, câncer de testículo, esterilidade, perda de memória, depressão, esquizofrenia, psicoses em geral, problemas de coração e AVC.

Inclusive, o Conselho Federal de Medicina já foi categórico ao dizer que não existe “maconha medicinal”, o que existe é a possibilidade do uso medicinal de canabinóides isolados que existem na maconha. Ninguém precisa se drogar para se beneficiar da canabis. E em nota conjunta, a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Associação Brasileira de Psiquiatria também rebateram essa narrativa do uso medicinal da maconha. Inclusive o Conselho Federal de Medicina foi categórico ao afirmar: “Diante da falta de evidências científicas que comprovem a segurança e a eficácia dos canabinóides, só é aceitável, no momento, seu uso em ensaios clínicos controlados ou, no contexto do uso compassivo e na falta de alternativas terapêuticas em menores com crises epilépticas refratárias aos tratamentos usuais. Desse modo, a regulação do plantio e uso dessa droga coloca em risco toda a população, além de causar forte impacto na sociedade em sua luta contra o narcotráfico e suas consequências”. A ANVISA (Agência Brasileira de Vigilância Sanitária) regulamentou a venda de medicamentos com uso de canabinóides no fim de 2019, e de maneira acertada limitou a venda desses medicamentos com concentração de THC menor que 0,2%. Já os produtos com concentrações de THC superiores a 0,2% só poderão ser prescritos a pacientes terminais ou que tenham esgotado as alternativas terapêuticas de tratamento. Todos vendidos apenas com receitas, sem a possibilidade de serem manipulados ou plantados em casa.

Como vocês viram a verdade sobre o tema é muito diferente do que te contaram. E aí, que tal espalhar essas verdades aos amigos e familiares, vai que eles são enganados e resolvam comprar essa “garrafada”.

Por: Marcus Vinicius L Lins

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