Atualmente, o excesso de jogos de internet tornou-se uma questão globalmente preocupante, influenciando a saúde mental daqueles que praticam abusivamente esta atividade. O transtorno de jogos na internet (TJI) é definido como a incapacidade de controlar o jogo pela internet (Griffiths et al., 2012).

Além disso, as taxas de prevalência são especialmente altas nos países da Ásia Oriental e entre adolescentes do sexo masculino com idades entre 12 e 20 anos segundo a American Psychiatric Association, 2013. Há também alguns estudos que sugerem várias intervenções, e que pode ter um efeito terapêutico no TJI como por exemplo a farmacoterapia incluindo bupropiona e metilfenidato, terapia cognitivo-comportamental, terapia familiar e programas de autoajuda online para TJI.

Os indivíduos com TJI têm várias comorbidades psiquiátricas que interagem reciprocamente com a gravidade do TJI, portanto, as intervenções terapêuticas visam aliviar suas condições comórbidas juntamente com os sintomas de TJI. O Transtorno depressivo maior (TDM) e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) são as comorbidades mais comuns (Han et al., 2017).

Então, os indivíduos com TJI gastam muito tempo jogando pela internet o que ocasiona um decréscimo nas aptidões físicas, no grau de habilidades motoras e nas atividades físicas diárias. Muitos desses indivíduos são crianças, pré-adolescentes e adolescentes que por sua vez, deveriam ficar mais tempo em atividades físicas, em jogos esportivos e brincadeiras ao ar livre ao invés de despender tanto tempo com jogos de internet.

Esta população é extremamente vulnerável às consequências deste uso abusivo, que pode gerar complicações tanto no âmbito psiquiátrico, psicológico e na saúde física, lembrando uma vez que o cérebro destes indivíduos ainda está em fase de desenvolvimento. Assim, torna-se necessárias várias formas diferentes de estímulos para este órgão, como a leitura, jogo de xadrez, aprender a tocar um instrumento musical, engajar-se em alguma prática esportiva ou lúdica, dentre outras, além dos Jogos de internet.

Estudos recentes que usaram eletroencefalograma (EEG) para avaliar as mudanças na função cerebral de pacientes com TJI mostraram uma atividade funcional alterada, esta por sua vez, ligada à impulsividade, inibição de resposta e hiperexcitação.

Por outro lado, as intervenções com o Exercício Físico (EF) são conhecids por facilitar o suprimento de sangue e oxigênio cerebral, tal qual, aumentando o metabolismo cerebral, a função neurotransmissora e melhorando o equilíbrio do sistema nervoso, o que por sua vez, ajuda a recuperar a adaptabilidade física e mental deste órgão.

Os exercícios aeróbios (caminhada, corrida, natação, ciclismo, remo, entre outros), os exercícios resistidos (musculação, treino funcional, calistenia) a yoga e a meditação, são comprovadamente intervenções utilizadas para aliviar os sintomas depressivos e ansiosos assim como, atualmente é utilizado no tratamento do TDAH.

Logo, as intervenções para a mudança do estilo de vida (exercício físico, interação social, sono de qualidade, leitura, brincar, alimentação saudável), dos indivíduos com TJI precisa ser a primeira estratégia para a prevenção e o tratamento desta doença devido a sua segurança e a eficácia. Visto que, o enriquecimento ambiental dos pacientes com transtornos psiquiátricos aumentam a adesão e a qualidade do projeto terapêutico e, consequentemente, um melhor prognóstico também é esperado.

Referências

Video game addiction: Past, present and future. M. Griffiths, D. Kuss and D. King

Current Psychiatry Reviews, 8 (2012), pp. 308-318.

Diagnostic and statistical manual of mental disorders (DSM-5®) American Psychiatric Association American Psychiatric Association, Washington, DC (2013).

The effect of methylphenidate on Internet video game play in children with attention-deficit/hyperactivity disorder. Han, et al. Renshaw Comprehensive Psychiatry, 50 (2009), pp. 251-256, 10.1016/j.comppsych.2008.08.011.

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