Espiritualidade e família

Repetir que as famílias estão em crise, que pais terceirizam a educação e criação de seus filhos, que há troca de objetivos profissionais e pessoais, que esses filhos são desestimulados  a enfrentar frustrações e lutar por realizações é quase um “chover no molhado”. Sem querer ser redundante, essa é uma faceta de nossas famílias. Quero desafiar você que lê esse artigo a adotar um olhar que trata mais de mudar do que acomodar-se ao que já não está bom.

No texto adotado pelas igrejas cristãs como decálogo, ou os 10 mandamentos, há um em especial que trata da relação familiar.  “Honra teu pai e tua mãe para que tenhas vida longa na terra que o SENHOR teu Deus te dá”. (Ex. 20.12).

Na construção da sociedade judaica a família era o centro de sustento da nação, por isso, um mandamento dessa natureza fazia parte não apenas da relação entre pais e filhos, mas da espiritualidade dos indivíduos.  Quase uma implicação de que um filho que não honra seus pais tem problemas em sua relação com a espiritualidade e, da mesma forma, pais precisavam trabalhar a questão da honra, também, como sendo de natureza espiritual. O mandamento não era uma garantia ou afirmação da posição patriarcal ou hierárquica dos pais em relação aos filhos, era um investimento no futuro deles, se tratava de preservar, dar sentido, fornecer fundamentos de como viveriam diante do mundo novo que se abria. 

O problema é que nem sempre os pais eram capacitados para tal função, quer por não ter recebido de seus pais, por não terem entendido a lição no passado ou por tantas outras questões.  Fato é que as deficiências e as carências não anulavam a responsabilidade.  Era preciso ensinar os filhos sobre o desafio da honra como garantia de sucesso.

Pois bem: se você é pai, o que pensa quanto ao futuro de seus filhos? Concordo que boa educação, formação profissional e até um salário é um projeto e tanto. E, aqui se concentra a maior energia de nossas relações familiares: quanto investimos para que façam algo que socialmente e economicamente lhes traga retorno econômico?  Infelizmente, quase nada investimos para que eles aprendam a honrar.  Por isso, na primeira oportunidade de sair da hierarquia familiar, as drogas se tornem tão atraentes.

Não há caminho fácil e nem retorno simples, mas, com certeza, o caminho da reconstrução familiar precisa passar pela reconstrução da experiência de honrar o outro.  Nós, pais, temos um desafio como os trabalhos de Hércules para não apenas evitar ou retirar filhos da dependência química mas principalmente para garantir que o futuro seja promissor e satisfatório.  Pais que abandonam essa luta, perdem os filhos!

Olhando a partir da experiência da espiritualidade, vale a pena começar a trabalhar esses valores.  Mesmo que sejamos crescidos, parte de nossa característica como pessoa é termos a capacidade de mudar.  Por isso, trabalhe.  Mas não faça isso sozinho, provavelmente você já tentou e fracassou.  Busque ajuda.  Envolva-se em um grupo de apoio. Leia algum material sobre o tema.  Busque conselhos sábios.  Nunca é demais reforçar que, por vezes, se a situação esta difícil, a única saída é pra cima, para o melhor.

A obediência passa, perde a razão com a mudança das circunstâncias; a honra fica, e se mantém como um guia para uma vida melhor!

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