DISCORRENDO SOBRE A IMPORTÂNCIA DA ORGANIZAÇÃO DE SERVIÇOS PARA O TRATAMENTO DA DEPENDÊNCIA QUÍMICA.

Autor:  Terezinha Cassia Goncalves Capoal – sábado, 5 Dez 2020, 04:56h

Muito se fala nas estratégias, metodologia, escolas do pensamento quando se trata dos aspectos que envolvem o tratamento das dependências principalmente às ligadas às substâncias químicas. Porém, há fatores de natureza burocrática, de logística de recursos sejam humanos e/ou materiais que não deveriam ser considerados à parte do problema, como se fossem um mero complemento e importunação. Ao contrário, deveriam caminhar juntos dentro do contexto do tratamento, pois são imprescindíveis, ainda mais num país tão desigual quanto o Brasil e com lideranças políticas sejam públicas ou privadas absolutamente indiferentes e divorciadas da real situação de grande parcela da população brasileira. Neste artigo, tentarei trazer à baila alguns dos aspectos que considero relevantes e propícios a uma discussão mais ampla.

Parte I: O impacto financeiro e econômico nos tratamentos de DQ’s.

Quero chamar a atenção para um aspecto que parece menor e muitas vezes nem é tratado e nem ao menos citado quando se fala de abordagens terapêuticas nos casos de compulsões nocivas (parece pleonasmo, mas não é) e de adicção sejam por substâncias consideradas legais e também pelas ilegais, que é o custo destes tratamentos.

Não somente o custo “na boca do caixa” das instituições privadas, ou o custo financiado via SUS, mas o custo pela perda de produtividade dessas pessoas para a coletividade e para o PIB Nacional e, mais de perto, o custo para as famílias, daquele ente que não produz e não colabora para os rendimentos familiares e/ou não se sustenta e a família ou vínculos que construiu, como pensões alimentícias para filhos, muitas vezes com diferentes parceiras.

Alguém terá que cobrir esses custos e outros terão que gerenciar a forma como os tributos municipais, estaduais e federais serão aplicados nos programas advindos das políticas públicas para a saúde mental.

Num país desgovernado como o Brasil, onde grassa a corrupção em toda a cadeia da saúde pública, isso é um grave entrave e muitas vezes praticamente impossibilita que programas mais modernos e dinâmicos sejam implementados.

Alegam não haver recursos para investir em recursos humanos gabaritados; instalações apropriadamente localizadas e equipadas; investimento em Assistência Social, onde os assistentes sociais possam realmente atuar e encaminhar corretamente os pacientes e auxiliar os familiares e dependentes desse paciente de modo produtivo e factível, participando ativamente da necessária equipe multidisciplinar.

Mas, em verdade, os recursos foram desviados de modo desumano e vergonhoso.
Não há fiscalização e se houver, quem fiscaliza o fiscalizador? Nada nem ninguém.

Para agravar o problema, e facilitar a cadeia de corrupção e má vontade com as políticas públicas para a saúde mental, cada governo que entra, descontinua o que vinha sendo feito pelo anterior e, para piorar, muitos governantes possuem conselheiros que admitem escolas de pensamento para a saúde mental em oposição aos programas que estavam sendo levados a cabo.

Essa briga conceitual, muitas e muitas vezes, é uma briga de egos.

A última preocupação dos “donos da chave do cofre” é com o paciente e a cadeia de pessoas em torno dele. Em 2020, e já estendido para 2021, houve uma redução de 39 bilhões de reais nos repasses para o SUS e ONG’s ligadas ao MS (Ministério da Saúde) diretamente na área de Saúde Mental!!!

Cito aqui quatro oportunos artigos que tratam deste assunto com riqueza de detalhes e que seria interessante para aqueles que possam ter curiosidade sobre o tema, pois como digo e repito, parece estar distante do que estamos discutindo neste curso, mas, em realidade perpassa por todas as questões, conforme citado numa das leituras obrigatórias (número 3) e se constitui em importante e impactante fator dificultador da implementação de abordagens terapêuticas no caso de DQ’s. :

FONTES:

1. MORETTI, Bruno. Artigo para a Revista Eletrônica O blog da Saúde. “Orçamento do SUS em 2020 poderá ficar mais de R$ 30 bi abaixo do mínimo obrigatório.” 11.09.2019. 04 páginas. Disponível em: https://www.viomundo.com.br/blogdasaude/bruno-moretti-alerta-orcamento-do-sus-em-2020- podera-ficar-mais-de-r-30-bi-abaixo-do-minimo-obrigatorio.html.

2. TRISOTTO, Fernanda. “Os cinco principais gastos da Saúde em tempo de Contingenciamento”. Para Jornal Eletrônico Gazeta do Povo. Brasília. DF. 18.08.2019. Disponível: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/principais-gastos-saude-contingenciamento/.

3. VERDÉLIO, Andreia. “Brasil gasta 3,8% do PIB em Saúde Pública”. Artigo para o Jornal Eletrônico da Agência Brasil. 01.11.2018. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia /2018-11/brasil-gasta-38-do-pib-em-saude-publica.

4. ZIGONI, Carmela; et al. “Contingenciamento: Quais setores sofreram cortes de Orçamento?”. Revista Eletrônica do INESC. DF. 16.07.2019 e disponibilizado em 09.01.2020. 12 páginas. Disponível em: htpps://www.inesc.org.br/contingenciamento-quais-setores-sofreram-cortes-de-orcamento /.09.01.2020.

ADQV7: Discorrer sobre a importância da organização de serviços pa… https://www.uniad.org.br/educacao/mod/forum/discuss.php?d=546#p19646 2.

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