Desejo e Vontade

Sabemos que pessoas que fazem uso de substâncias por dependência química possuem uma dificuldade imensa em se propor a um tratamento e se manter em recuperação. Podemos pensar em diversos motivos para que isso aconteça, a droga torna-se representativa na vida do sujeito, é usada como escudo para frustrações, fuga da realidade e suspensão de sofrimentos. Os danos causados pela dependência de uma substância podem gerar ciclos viciosos, como a ilusão de resolução de problemas, ausência de sofrimentos que segundos de “prazer” podem proporcionar, mas não se matem.


O que fazer para transformar formas de pensar, agir e tomar decisões de uma pessoa que se encontra dependente? Primeiro, temos que compreender que ter desejo de fazer diferente é essencial. Desejo é diferente de vontade. Ninguém quer se submeter a estados degradantes como a que alguns dependentes químicos chegam, mas ter vontade de mudar não é suficiente. Necessitamos perceber que o despertar de um desejo profundo é sinônimo de ação. Ação move todo ser humano, desejos movem. Vontade é apenas pensamentos e devaneios, não é o bastante. Aprender a mudar é difícil, dói! Perceber que se perdeu tempo, se destruiu laços e objetivos e metas foram falhos requer decisão e, se houver desejo, é possível.


Mas se o dependente não sente desejo em parar? É neste momento que o tratamento se faz necessário. Não é fácil desejar, desejo exige coragem, exige esforço, o desejo está atrelado à mudança e sozinho é difícil demais.


No tratamento, temos que estimular o sujeito a colocar como prioridade a sua vida, nada pode ser maior que seu desejo de não retomar os padrões antigos de uso e comportamentos. É um trabalho árduo desejar mudar. Muitas vezes visto como impossível, mas a família, profissionais da área, adictos e afins, podem, juntos, trabalhar para que isso se potencialize. É necessário que o dependente químico reconheça que a liberdade é consequência de responsabilidade.

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