“Um homem de 63 anos foi atropelado e morto na manhã deste sábado (19) no Jaguaré, Zona Oeste de São Paulo. O motorista, que estava embriagado, fugiu sem prestar socorro. Alcançado por uma viatura da Polícia Militar (PM) alguns metros depois, ele foi preso em flagrante” (G1 – Bruno Tavares, SP2 – 19.09.20 – 19h43).

Notícias como esta fizeram parte de nossa realidade nos últimos anos, de forma quase que banal e, pior, sem que o sentimento de responsabilidade pessoal invadisse a maior parte dos brasileiros e sem que nos sentíssemos “incomodados” a ponto de querermos abraçar pessoalmente a causa da redução de mortes no trânsito, efetivamente.

Cerca de 100 pessoas morrem diariamente no trânsito brasileiro e estima-se que um percentual de 30 a 40% resultem do uso de álcool, ou outra droga, antes de dirigir. No mundo, são 3.700 vidas perdidas no trânsito diariamente. A Organização das Nações Unidas (ONU) através de sua Assembleia Geral criou, em 2011, a Primeira Década de Ação pela Segurança no Trânsito com a missão de reduzir em 50% o número de vítimas no trânsito e, apesar de todos os esforços dedicados pela ONU, pelos governos e pelas Organizações Sociais envolvidas nesse trabalho, o resultado não foi o esperado.

Estimam que foram atingidos algo como 23%, o que também não pode ser dito que nada foi feito. Sim, muito foi feito pela ONU, pelos Governos e pelas Organizações Sociais, tanto que houve tal redução, entretanto, iniciada a Segunda Década de Ação pela Segurança no Trânsito, a partir de 2021 a 2030, fica claro para mim que apesar de todo envolvimento de alto nível com governos, organizações e autarquias, o processo de conscientização da massa que pode mobilizar, ou concretizar tal projeção, precisa ser revisitado em sua teoria de aplicação dos programas de orientação e conscientização dos perigos que envolvem o trânsito num todo. Penso ainda que além do que seria um programa competente de capacitação, orientação e conscientização de todos personagens envolvidos, prevalece um fator que se mostra deficitário nos últimos anos: continuidade e abrangência.

Se queremos mudar, efetivamente, o comportamento da sociedade para esse hábito criminoso de beber, ou usar outra droga, e dirigir, não basta apenas implementarmos programas sazonais sobre o assunto, mas fazermos do tema objeto de diálogo contínuo baseado inicialmente na comunidade e, para ser mais específico ainda, no núcleo familiar, de onde deverá acontecer efetivamente tal mudança de comportamento, com nossas crianças sendo parte efetiva desse processo com programas de prevenção.

Um estudo de nossa organização nos Estados Unidos da América (EUA), o Mothers Against Drunk and Driving (MADD), que no idioma português quer dizer Mães contra embriaguez e direção, demonstra que os filhos observam enorme ausência de diálogo sobre o tema (álcool + droga + direção) com os pais, onde um grande percentual alija-se da responsabilidade de orientar, esclarecer sobre os riscos das drogas licitas ou ilícitas quando do ato de dirigir, com vários fatores respondendo por esta e outras ações parentais. Alguns podem me perguntar se eu não estaria exagerando em considerar que tais atividades familiares poderiam representar a solução para o problema que enfrentamos, e eu responderia com confiança que, se as famílias desenvolverem diálogo aberto sobre o assunto, e claro, que o exemplo alicerce os diálogos, a chance de que uma nova década mais sóbria esteja presente, com redução drástica de vítimas no trânsito, inclusive relacionado ao uso de álcool, e outras drogas, é uma realidade.

Em 2030, as crianças que hoje estão com 8 a 10 anos, estarão prontas a praticar o ato de dirigir e sua sobriedade, ou mesmo equilíbrio em conduzir-se e permitir que outros a seu lado conduzam o ato de dirigir sob efeito de qualquer droga fará a diferença nesses números finais.

Aliás, eu concluiria o texto, mas não o assunto, certamente, questionando aos leitores se alguma vez em sua vida, estando em alguma festa com amigos, ou evento familiar, ao perceber que alguma destas pessoas deixava a festa, pronta a dirigir o carro, a caminho de casa, você o abordou e argumentou incansavelmente para que não fizesse isso. Você também é responsável!

Fontes :

Programa Respeito à Vida- http://www.respeitoavida.sp.gov.br/relatorios/

DATASUS – – http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.exe?sim/cnv/obt10SP.def

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