Consteladora Familiar fala sobre: Como nos tornamos reféns de nós mesmos

Olhamos para o mundo e vemos inúmeras razões para temer o outro ser humano. Ou, pelo menos, para desconfiar e, então, criar um muro de repulsa e indiferença. Indiferença essa que está impregnada em nossas vísceras, por conta da nossa sombra interna (tudo aquilo que não quisemos um dia revelar ou falar à nossa mãe). A indiferença é a maneira mais sutil do ódio. Pois é. Em maior ou menor intensidade, odiamos o outro ser humano, pois ele pode nos ferir, nos magoar, nos furtar, nos enganar, discordar das nossas verdades, zombar e caçoar, nos rebaixar. E nossos traumas nos fazem sentir assim.


Nos tornamos reféns de nós mesmos para não deixarmos que o outro se aproxime. Acreditamos que assim estaremos seguros. Será? Será que você não se fere mais ainda com todos esses sentimentos remoendo o seu ser, fazendo com que você não durma à noite ou não conheça novas pessoas que poderiam ser suas melhores amigas um dia? Por que você tem medo de que, ao se aproximar, elas conheçam também todos os seus “pães bolorentos” que leva consigo? O maior medo é que as pessoas saibam e conheçam seus “pães bolorentos”, mas são exatamente eles que lhe fazem muito melhor do que já foi um dia. Respeite sua sombra, ela faz parte de você, ela é sua força, pois a partir dela você foi capaz de ser forte para sobreviver aos traumas causados em sua infância.


Quando somos capazes de entender que desenvolvemos uma Máscara para que as pessoas não vejam o que está em nossa sombra, compreendemos que, se não a identificarmos e combatê-la, jamais chegaremos a conhecer nossa essência (self).


O que é essa Máscara (que também pode ser chamada de Ego)? É rir quando está chorando por dentro? É, na verdade, um mecanismo de defesa, para que você se relacione com o outro. Desta maneira você não permite que o outro saiba como realmente está. E, ilusoriamente, com esse mecanismo de defesa você se “protege”. Por exemplo, quando uma pessoa lhe chama o tempo todo de querida, é sempre muito doce, a verdade é que na maioria das vezes ela está escondendo. E esconde o quê? Uma raiva interna que ela só deixa que seja mostrada em lugares que se sente segura. Que é a Sombra.


A sombra, como eu disse, é tudo aquilo que escondemos de nossa mãe na infância. A maioria de nós foi educada e ensinada, por exemplo, a não demonstrar a raiva. Sendo assim, quando ficamos com raiva de uma situação, não demonstramos e não falamos, engolimos. Enquanto criança, para nossa mãe não ver. Enquanto adultos, porque acostumamos com esse padrão de funcionamento. A Sombra cresce, mas não pode transparecer. Porque, se transparecer não gostarão de nós (medo infantil). Desenvolvo, então, uma máscara, um padrão de funcionamento para ser melhor aceito. E o que a criança mais quer e deseja é ser amada e mais amada. E repetimos esses padrões consecutivamente com as pessoas com quem nos relacionamos, pois estamos presos ao trauma.


Muitas pessoas dizem conhecer veemente a sua própria essência, e algo típico de se ouvir delas é: “Eu sou uma pessoa de bom coração, sou trabalhador(a), honesto(a), sou uma pessoa que quer ver as outros bem”. É o que realmente deseja ser, mas, muitas vezes, não consegue. E não consegue por quê? Porque não teve ainda a oportunidade de se conhecer como realmente é, aceitar-se. Ser carinhoso consigo mesmo. E dar para si mesmo o que não foi dado em sua infância. Todos somos adultos com crianças muito feridas internamente e essa é nossa essência. Nosso self. Quanto mais nos aproximamos de nossa criança interior melhor nos tornamos. Melhor somos para nós mesmos. Deixamos de ser “bonzinhos” para o outro, para sermos livres!


Convido, então, você a se conhecer e se libertar. Não é fácil, nada é fácil, mas é preciso.
Ter um corpo saudável não é fácil, mas faz você se sentir melhor. Comer regularmente e de forma saudável não é fácil, mas faz bem. Assim, é preciso abdicar de alguns hábitos que trazem prazeres momentâneos. O caminho de volta para você é árduo, mas faz com que você rejuvenesça a cada passo e alcance uma nova postura.


Você está se perguntando onde quero chegar com tudo isso e eu respondo: Até você! Até o que você realmente deseja e quer para você.
É preciso escutar seus verdadeiros sentimentos!

( Ana Claudia de Carvalho – Terapeuta Sistêmica e Consteladora Familiar. @anaclaudia.43)

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