Freud, em “O mal-estar na Civilização” (1930/2011:22), declarou que diante da infelicidade o homem para se desvencilhar usa o químico, isto é, a intoxicação:

…há substâncias de fora do corpo que, uma vez presentes no sangue e nos tecidos, produzem sensações imediatas de prazer, e também mudam de tal forma as condições de sensibilidade, que provocam a incapacidade de acolher impulsos desprazerosos. Os dois efeitos não só acontecem ao mesmo tempo, como parecem intimamente ligados. ”

Adolescência compreende a faixa etária entre 12 e 18 anos (ECA, 1990).

Os jovens começam a usar drogas em busca do prazer e como rito de passagem no tempo lógico da adolescência, buscam auxílio para se incluírem na comunidade.

A droga ilude que a ansiedade foi eliminada e a autoestima encontrada.

Na contemporaneidade o uso de drogas é uma expressão de linguagem do adolescer e funciona como fonte de socialização. Quando usada de forma abusiva pode repercutir em todo o processo posterior de vida do jovem, impactando sobre a vida evolutiva e no ciclo familiar (Schenker & Minayo, 2003).

O uso de drogas funciona como um objeto-tampão, para dar conta da desorganização pulsional, manifestação da falta e do não realizado, fragilidade dos vínculos afetivos, contexto familiar tóxico, além, é claro, desestruturação da identidade, crenças e valores.

A drogadição, relacionada à maximização do prazer e rito de passagem, geram o autoengano no desenvolvimento do adolescente e da humanidade.

A prevenção ao uso de drogas está entre a ciência e a educação, onde pais, educadores e comunidade devem investir nos fatores de proteção, proporcionando ligação positiva entre si e com afeto direcionado ao seu ente querido; envolvimento efetivo na vida deste; estabelecimento de normas, regras e procedimentos de convívio; aproximação com ênfase aos ritos familiares e manutenção da coesão familiar, evitando efetivamente a tolerância e a permissividade com o uso de substância, exercendo ações para tratamento logo no início do uso, enfrentando os mecanismos de defesa da negação, minimização e outros.

Albert Camus, 1913 – 1960, O primeiro Homem: “Eu próprio tentei descobrir, desde o começo, ainda criança, o que é certo e o que é errado – uma vez que ninguém à minha volta podia me dizer. E além disso vejo agora que tudo me abandona, que preciso de alguém que me mostre o caminho e me dê censura e elogio, não pelo poder, mas pela autoridade, preciso de meu pai. ”

O engodo promovido pela droga, parece garantir pela via do blefe, que a dor psíquica e o sofrimento serão apagados pelo menos em parte; mal sabe o toxicômano que sua conduta se alinha com a degradação moral.

Compartilho da possibilidade de que enquanto houver vida, há esperança e sendo a esperança a última que morre, devemos continuar labutando, senão, as drogas, vão desgastar as condições físicas, mentais e espirituais de seus usuários, e os que não conseguirem interromper sua dependência serão irremediavelmente destruídos por elas.

Assim, o adolescer necessita de bons exemplos dos pais e educadores, convivência em ambientes sadios, autonomia com pensamento independente para resistir à pressão do grupo, contato com informação honesta em evidência científica sobre drogas, construção do plano de vida, saber dizer não para o consumo, escolha de boas companhias, estudo, prática de exercícios físicos e lazer, pois a adolescência é o período marcado por inúmeras transformações e conquistas importantes.

Parceiros

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *