Gostaria de salientar que esta matéria, foi produzida e elaborada juntamente com alunos do curso de AT em DQ em Campinas – SP Coordenado pelo Psicólogo Especialista em DQ, Sr. André Luis Granjeiro CRP 06/144060

Alunos do curso de AT em DQ

Danyelle Argemira Guimarães Fernandes, graduanda em Psicologia na UNIP Campinas -SP

Eadred de Lima Ribeiro – graduanda em Psicologia pela FAC 3 – Campinas – SP

Henrique Castanheira – graduando Psicologia na UNIP – Campinas – SP

Conforme os artigos publicados anteriormente falando sobre a loucura e a reforma psiquiátrica, surge uma necessidade de acompanhar esse paciente. Dessa forma, foram dados os primeiros passos para o surgimento do Acompanhante Terapêutico. Este surge com diversos nomes, sendo alguns deles: o amigo qualificado e o auxiliar terapêutico, entre outros, conforme descrito pela literatura.

Na Europa, em meados de 1960, iniciava-se um movimento psiquiátrico que visava humanizar os tratamentos de pacientes considerados doentes mentais e que estavam asilados. Esse isolamento passou a ser considerado prejudicial ao tratamento. Alguns psiquiatras da época defendiam que a reinserção social do paciente seria o propulsor da sua melhora. A reforma psiquiátrica e seus antecedentes tiveram como inspiração, os movimentos de reforma psiquiátrica francês: a Psiquiatria Institucional e de Setor; o inglês, com a Comunidade Terapêutica e a Antipsiquiatria; o americano, tratando-se da Psiquiatria Comunitária e o italiano: com a Psiquiatria Democrática Italiana. Assim, iniciam-se os trabalhos de desospitalização, com a ajuda de técnicos que instrumentalizam-se para “acompanhar” os pacientes em sua reintegração social.

“O surgimento do hospital-dia, dos psicofármacos, da comunidade terapêutica, assim como as questões suscitadas pela reforma psiquiátrica, possibilitaram a invenção de uma prática que, com o passar do tempo, passou a ser denominada acompanhamento terapêutico. Nesse sentido, podemos dizer que essa prática está diretamente vinculada à necessidade de criação de novos métodos de atenção intensiva de cuidado à saúde que vão configurando-se a partir da segunda metade do século XX. É no contexto de uma certa “urgência sanitária” que podemos entender a criação do hospital-dia e das comunidades terapêuticas e situar o papel que a própria produção de psicofármacos desempenhou naquele momento. É nesse contexto – onde está ocorrendo uma mudança significativa na perspectiva de cuidado aos doentes, se comparada com as práticas usadas nos clássicos manicômios – que vão se engendrar as condições para que a prática do AT possa desenvolver-se no campo da saúde.” (SILVA & SILVA, 2006).

Esse movimento apareceu no Brasil, por volta da década de 70, percorrendo dois trajetos: primeiro passa por Porto Alegre e chega ao Rio de Janeiro, sendo conduzido por Carmem Dametto. No segundo momento, chega a São Paulo na companhia da psicanalista argentina Beatriz Aguirre, uma das fundadoras do Instituto “A Casa” em 1979. Carmem Dametto já trabalhava como auxiliar psiquiátrica na clínica Pinel, em Porto Alegre. Em 1969, é chamada para trabalhar na clínica Vila Pinheiros, no Rio de Janeiro. Cria-se nessa comunidade, uma equipe de auxiliares psiquiátricos que posteriormente, tornam-se “acompanhantes terapêuticos” (ATs.), no Rio de Janeiro. Mesmo quando ocorreu o fechamento dessas comunidades, os “auxiliares psiquiátricos”, como eram chamados no Brasil, ainda eram solicitados por terapeutas e familiares para evitar a internação.Com a efetivação deste trabalho, o serviço passou a ser chamado de “Acompanhamento Psicoterapêutico”. Conforme expressa Estellita-Lins, Oliveira & Coutinho:

“O AT, então surge na atuação com casos psiquiátricos e consequentemente é identificada a significativa contribuição em outras áreas. Citação direta […] na clínica de evidente cronicidade, descompensações da esquizofrenia e transtorno bipolar do humor, risco de suicídio, demência vascular ou Alzheimer, quadros organocerebrais, clínica oncológica, além da psiquiatria infantil, acompanhando autistas e deficientes mentais.” (ESTELLITA-LINS, OLIVEIRA & COUTINHO, p.26-29, 2009)

É importante salientar, que na questão do atendimento a idosos, não substitui o cuidador, cujos atributos delineiam-se com cuidados específicos de enfermagem e também assistência. O trabalho envolve outra frente de trabalho, como por exemplo, na reeducação de rotinas, no restabelecimento de cronogramas, reintegração psicossocial e ambiental, no campo da reinserção e busca de autonomia do sujeito.

O A.T. é um trabalho que vem sendo construído nos últimos anos, com muitas descrições e ainda concepções da abrangência de seu campo de atuação. Devido a isso, ainda há muito a ser discutido, principalmente sobre a importância da atuação deste profissional com uma equipe multidisciplinar, proporcionando bem estar e condições favoráveis e propícias para que a pessoa atendida caminhe rumo a sua autonomia e autossuficiência. Com a visão de homem unificada e integrada em diferentes campos, esse profissional trabalhará junto a outras áreas em uma co-parceria de saberes e experiências distintas. No próximo artigo, estaremos diante de linhas que mostrarão como esse trabalho humaniza aquele que não se vê mais, dignifica aquele cujas esperanças perderam-se. Aguardem os próximos artigos…

Referências Bibliográficas:

ESTELLITA-LINS, Carlos; OLIVEIRA, Verônica Miranda; COUTINHO, Maria Fernanda. Clínica ampliada em saúde mental: cuidar e suposição de saber no acompanhamento terapêutico. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro , v. 14, n. 1, p. 195-204, Fev. 2009 . Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232009000100026&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 30 Ago. 2020. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232009000100026.

PARAVIDINI, João Luiz Leitão; ALVARENGA, Cérise. Acompanhamento Terapêutico (AT) e saberes psicológicos: enfrentando a história. Gerais, Rev. Interinst. Psicol., Juiz de fora , v. 1, n. 2, p. 172-188, dez. 2008 . Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983-82202008000200009&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 30 ago. 2020.

REIS NETO, Raymundo de Oliveira; TEIXEIRA PINTO, Ana Carolina; OLIVEIRA, Luiz Gustavo Azevedo. Acompanhamento terapêutico: história, clínica e saber. Psicol. cienc. prof., Brasília , v. 31, n. 1, p. 30-39, 2011 . Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932011000100004&lng=en&nrm=iso>. Acesso em 05 Set. 2020. https://doi.org/10.1590/S1414-98932011000100004.

SHIMABUKURO, Fabiana Harumi. Você conhece a história do acompanhante terapeutico? A quem se destina este tipo de atendimento? Comportese. Disponível em: <https://www.comportese.com/2014/06/voce-conhece-a-historia-do-acompanhamento-terapeutico-a-quem-se-destina-este-tipo-de-atendimento#:~:text=Devido%20%C3%A0%20mudan%C3%A7a%20de%20paradigma,o%20acompanhamento%20terap%C3%AAutico%20(AT).>. Acesso em 28 Ago. 2020

SILVA, Alex Sandro Tavares da; SILVA, Rosane Neves da. A emergência do acompanhamento terapêutico e as políticas de saúde mental. Psicol. cienc. prof., Brasília , v. 26, n. 2, p. 210-221, June 2006 .Dispo <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932006000200005&lng=en&nrm=iso>. acesso em 05 Setembro 2020. https://doi.org/10.1590/S1414-98932006000200005.

SIMÕES, C.H.D, Kirschbaum DIR. Produção científica sobre o acompanhamento terapêutico no Brasil de 1960 a 2003: uma análise crítica. Rev Gaúcha Enferm, Porto Alegre (RS) 2005 dez;26(3):392-402.

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