Sabe quando você está conversando com seu amigo e, de repente, ele recebe uma ligação da filha pedindo que a ajude resolver uma dificuldade que ela está passando, e você percebe que aquela pessoa, que antes conversava descontraidamente, encontra-se consternada pois, naquele instante, e longe da filha, não está conseguindo ajudá-la a resolver o problema? Ao perguntar qual era a situação, você ouve a resposta que ela pediu que ele fornecesse o telefone do professor de Inglês dela, já que ela não poderá atender a classe de hoje, pois precisa visitar uma amiga que chegou do Exterior.

Um caso muito simples, mas que denota a presença de uma doença familiar muito conhecida: CODEPENDÊNCIA.

Em situações mais extremas, quando no lar a dependência química se faz presente, um estudo recente da UNIAD, considerada a maior pesquisa mundial sobre dependentes químicos, coordenada pelo Dr. Ronaldo Laranjeira diz, conforme suas palavras: ”Para cada dependente químico existem quatro pessoas afetadas”. Nessas situações encontramos famílias inteiras vivendo em função de outra pessoa, tentado controla-la, ajuda-la e supri-la esquecendo que um dos processos de recuperação que alguém atravessa, no que tange a Dependência Quimica, é o da busca da Sobriedade, ou seja, assumir o PROTAGONISMO da própria vida. E então você se vê levando a pessoa para lá e para cá, deixando de ir trabalhar para acordá-la no horário do remédio, ou mesmo ficando lado a lado na ignorância de que controlará os seus passos.

Mas vamos deixar um pouco de lado os resultados e trabalhar as causas, em que nós podemos, dentro de nossa limitação, recuperar o equilíbrio, ou reeducar nosso comportamento.

Melody Beatie, em seu livro CODEPENDENCIA NUNCA MAIS afirma que “Codependência é uma “doença” que deteriora nossa alma, afeta nossa vida pessoal, familiar, amigos e parentes; nossos negócios e carreira; nossa saúde e o nosso crescimento espiritual. Uma doença que enfraquece e se não for tratada, fará com que sejamos mais destrutivos conosco do que com os outros”

Hoje falaremos sobre uma das primeiras situações que enfrentamos ao nos iniciarmos nos padrões da CODEPENDENCIA, que é a NEGAÇÃO.

A NEGAÇÃO é uma condição incrível a que nos submetemos, e cria forte tensão e desentendimento entre os familiares, que deixam de falar sobre o que realmente pensam e sentem, e atualmente junto a amigos e comunidade pois ainda que alertado, na maior parte das vezes, em vez de partirmos para o diálogo com o envolvido, e buscar o esclarecimento da situação, preferimos colocar o “assunto em baixo do tapete”, porque temos a certeza que isso nunca aconteceria com alguém do nosso convívio, afinal de contas o conhecemos muito bem e essa pessoa nunca faria isso. Além, claro, de nos mantermos numa zona de conforto.

A NEGAÇÃO constrói uma das barreiras mais poderosas sobre uma das características que o processo de recuperação comportamental precisa para o seu sucesso: DIÁLOGO.

Soube de um caso, onde o pai, ao saber que seu familiar foi flagrado junto com o amigo de 15 anos, cujos pais viajaram e o deixaram com o controle da casa, fumando maconha e bebendo de forma abusada, saiu do escritório, de forma descontrolada, e foi recebe-lo na volta da escola. Assim que seu familiar chegou, colocou-o no quarto, fechou a porta e lhe aplicou uma surra daquelas, dizendo muitas vezes a frase mais infeliz, a nível de educação: “No tempo do meu pai isto teria sido ainda pior, etc…”

Os tempos mudam e deveriam nos obrigar a rever conceitos e garanto que nesse caso, o que esse filho poderia ter tido com o pai (e de preferência com a mãe junto) seria uma ótima oportunidade de conversar sobre o ocorrido, do “porque” ele optou por beber em usar drogas. Certamente o pai perdeu a grande chance de ouvir algo do filho, e a partir dessa atitude bloqueou o relacionamento de forma temporária, espero.

Quando existe a NEGAÇÃO, existe a ignorância de que tudo deve ser considerado possível, para que assim possamos reverter. Se eu nego que o familiar, está com comportamento inadequado, de que forma poderei apoiá-lo na busca de seu reequilíbrio?

Agora o pior detalhe dessa situação: a negação aconteceu, mas a pessoa passará a controlar o familiar e a criar um ambiente extremamente negativo de dúvidas e mentiras.

Quanto ao convívio nas empresas não tem muito de diferente, pois se num ambiente familiar tratar assertivamente é fundamental, nada difere no ambiente comercial, que nada mais é do que a extensão do núcleo familiar. Se no convívio com seu funcionário, ou pares encontrar situações de desvio comportamental, não deixem de buscar o momento certo, e o tom certo para abrir o diálogo e entender o porquê de atitudes em desacordo com o eticamente adequado para um convívio saudável. Já pude resgatar situações interessantes dentro do ambiente comercial, com momentos que tratavam justamente da presença da dependência química, prejudicando o ambiente e o próprio funcionário. O resultado foi positivo pois não havendo a ligação emocional, conseguimos trabalhar mais francamente, sem negar a situação. Serve de dica?

E você, o que você acha de negar uma situação, em vez de enfrentá-la para soluciona-la?

Reflita muito sobre o tipo de relacionamento que você conduz na sua família e se tiver alguma dificuldade de conduzi-lo de forma adequada, conte comigo.

Detalhe da foto: Não é você que está manipulando quando se submete a Codependência, entendeu?

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2 comentários em “CODEPENDENCIA, a doença que você permite, de mansinho, ou não????”

  1. Avatar
    Sidnei Marcantonio Farinon

    Muito impactado ao ler esse relato,acompanhei recentemente um caso exatamente assim. Ótimo material pra quem trabalha com a causa,no meu, com grupo de apoio vá dependente e codependente.

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