Família reunida para o almoço de domingo num belo dia de sol. Crianças brincando lá fora e fazendo aquela bagunça deliciosa. Todo mundo ouve a dona da casa, aquela vovó muito querida, chamando para o macarrão mais delicioso. E a turma toda, correndo entra na sala de almoço.

Todos começam a comer, quando a avó querida pergunta: – Cadê o Paulinho? E o pai dele, aliás filho dela, responde: – Ele está estudando hoje com uns amigos, pois terão prova nesta semana.

Alguns se entreolham, outros sorriem, a maior parte sabe bem aonde está o Paulinho. Acho que até a avó, mas ficam aqueles sorrisos e entreolhares garantindo que a verdade não foi dita, mas que também é melhor não continuar a explicar. E a avó pergunta: – E então, continua delicioso o meu macarrão? E todos respondem, e sorriem, e o Paulinho já não é mais objeto das conversas.

Lembram da CODEPENDÊNCIA que falamos semana passada? Pois é, agora estaremos falando do segundo estágio desta doença familiar. O das MENTIRAS e da CUMPLICIDADE, relativas a esse uso de álcool e drogas de um familiar, e que instauram um clima de segredo familiar, mantendo a ilusão de que não estão causando problemas na família.

A maior parte dos familiares desenvolvem uma enorme preocupação, além de frustradas tentativas de controle do uso, propiciando consequências físicas, emocionais, profissionais e muitas vezes sociais. Quando aquele pai mente na mesa ele tem certeza que a mentira o ajudará a proteger o familiar, e que essa pseudo proteção, que o familiar sabe que ele está praticando, o ajudará a se manter vinculado com o filho. Afinal de contas o pai sabe aonde o filho está. Ele está na rua. Mas só ele sabe. A família agora “sabe” que ele está estudando.

E o pior de tudo é que obviamente, a mãe que ouvia ao lado de dele, se tornou cúmplice dessa mentira. E ele se tornou razão de comentários variados por todos os familiares. Desde aqueles que não entendem porque ele mente, ou aqueles que entendem, ou aqueles que não aceitam ele ter mentido, mas uma coisa é certa o clima formado por essa situação não promoveu a harmonia, e muito menos a alegria, que um final de semana como esse poderia proporcionar assim, a verdade é sempre o melhor instrumento para buscar ajuda e recuperação de um familiar, pois uma família comprometida pode se tornar uma fator de recuperação e proteção.

Está com dificuldades em atingir esse papel junto à sua família? Faça uma profunda reflexão do tipo de relacionamento que você desenvolveu junto aos seus familiares, nos últimos anos, e o que poderia ser mudado ou melhorado para estar cada vez melhor, ou principalmente, concorrer para a sua recuperação e a do seu ente querido, quando você enfrenta situações desagradáveis pelos desvios de conduta de um deles.

Vamos juntos buscar esse caminho de reeducação e reequilibro familiar? Promete?

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