Algumas considerações sobre os reflexos do uso de drogas

Primeiramente quero agradecer a Revista Dependência Química por poder fazer parte deste time; sendo assim, ter a oportunidade de contribuir com a aprendizagem e com o conhecimento é, de fato, uma honra. Este primeiro artigo é parte de um projeto pessoal e profissional; um projeto que me encanta e que desejo que encante a cada indivíduo que o leia. O maior objetivo é refletir sobre como o uso de substâncias psicoativas na gestação pode afetar a aprendizagem das crianças, ou seja, refletirmos sobre a importância e a urgente necessidade do enfoque preventivo.

Embora, atualmente, muito seja discutido sobre dependência química e temas correlacionados, não se vê com a mesma proporção de demanda o debate sobre os futuros reflexos no que se compreende aos frutos gerados em consequência de momentos onde seres humanos não estão presentes em sua plenitude, mas completamente isolados do mundo exterior, cujo o único objetivo é o de conseguir mais um pouco; independente das consequências e de como estas possam afetar a própria vida e a de seus descendentes à nível biopsicossocial e de aprendizagem.

Certamente levantar a discussão sobre métodos para se evitar o aumento da taxa de natalidade, salvaguardando a vida de mulheres que fazem uso nocivo de drogas no período gestacional, assim como, sua integridade física, num contexto onde se exclui a consciência pelos atos de indivíduos e onde suas vidas se tornaram incontroláveis diante da caracterização de uma doença, seria bem apropriado. Contudo, há um envolvimento de esferas políticas, e mesmo diante de leis como a 9.263/96 – sobre o planejamento familiar, extrapolariam os objetivos neste momento; porém, não se exclui a necessidade de serem abordadas posteriormente.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) tem enquanto objetivo ampliar o universo de experiências, conhecimentos e habilidades da criança, diversificando e consolidando novas aprendizagens, atuando de maneira complementar à educação familiar, agregando autonomia e a comunicação.

Assim sendo, subtende-se que a criança em questão – uma criança que pode ter tido um desenvolvimento intrauterino afetado negativamente mediante ao baixo estado de saúde de sua progenitora, onde provavelmente, houve uma redução nutricional significativa em ambos; onde sua maturação neuronal não ocorreu naturalmente; onde pode ter ocorrido uma síndrome de abstinência por parte da criança, denotando em um quadro de irritabilidade, choro estridente, alerta exacerbado, convulsões, entre outros, o que implicaria em cuidados medicamentosos para rebate-la ainda na maternidade.

Ao iniciar uma vivência pré-escolar, cujo objetivo educacional venha a atender suas necessidades psicossociais, a criança necessita de condições mais adequadas ao seu desenvolvimento global, visando a harmonia em seus aspectos físicos, sócio emocionais e intelectuais, a fim de que consiga ser tudo aquilo que poderia nesse período de sua vida.

Se a educação infantil não deve se contentar apenas em preparar a criança para enfrentar outra fase de sua vida, e sim contribuir para o seu desenvolvimento, a fim de que esta realize todas as suas possibilidades humanas características do período de desenvolvimento em que se encontra, como os profissionais que lidam diretamente com as crianças poderiam fazê-lo de fato?

Há um compromisso com a transmissão de conhecimentos, contudo, conforme Meneghel e Mantovani de Assis (2018, p. 13), “o desenvolvimento da inteligência é frequentemente confundido com a capacidade de repetir os conteúdos memorizados, mesmo que não tenham sido compreendidos”; então, como possibilitar ao educador as ferramentas adequadas para que ensinem de maneira mais assertiva, conseguindo atingir o que de fato se propõe a um desenvolvimento harmonioso das estruturas da criança?

Logo, depreendendo que o uso de substâncias psicoativas durante a gestação, afeta o sistema motivacional do cérebro, acometendo sua maturação, comportamento e afetividade, assim como a bagagem de conhecimentos, estes acrescidos ou modificados conforme o recebimento de informações (DELLABETHA; DA COSTA, 2014), a presença do profissional de um profissional especializado assinala que os princípios devem estar acima das personalidades, sob uma perspectiva de aceitação das diferenças e criando condições para que todos sejam igualmente aceitos por seus pares e por serem quem são.

Alicia Fernández, em uma entrevista a Associação Brasileira de Psicopedagogia em agosto de 2011, diz que “antes de se falar em dificuldades ou problemas de aprendizagem deve-se falar em capacidades e possibilidades…e que todo aprender é problemático por que inclui, no mínimo, três sujeitos: a criança (aprendente), o ensinante e o sujeito social…”. A teoria de Jean Piaget nos diz que todo ser humano nasce com a possibilidade biológica de vir a ser inteligente, e que o ritmo do processo de construção das estruturas cognitivas e do desenvolvimento intelectual depende da influência do meio. Nesse sentido, a presença de um profissional especializado (referencio-me ao Psicopedagogo) no contexto escolar, contribui para que não haja um esgotamento de possibilidades condizentes a escolarização e a aprendizagem, e, se fazendo necessário, conduzir a encaminhamentos assertivos.

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