Estamos vivendo uma das maiores crises já vivenciadas pela nossa humanidade, devido ao surgimento do novo Covid-19. Este novo cenário, vem trazendo sérios impactos políticos, econômicos, sociais e de saúde da população e as mudanças de hábitos repentinos nos obrigando a vivenciar o isolamento social como uma das principais estratégias para nos protegermos da contaminação, é a nossa realidade. E vale ressaltar que, um dos grandes desafios enfrentados   são os de um público específico; os dependentes de álcool e/ou drogas “Adictos” em processo RECUPERAÇÃO.

Essas transformações repentinas trouxeram consigo grande impacto na vida dessas pessoas, afetando principalmente seus processos de recuperação.

Nesse contexto, os dependentes de álcool e/ou drogas “Adictos” tem reagido a essa situação de forma distinta. Alguns se sentindo confusos, entediados, desorientados, amedrontados, ansiosos, anestesiados, insensíveis e paralisados, e muitas vezes com dificuldade para acessar aos serviços de apoio para seu   processo de recuperação, os tornando mais vulneráveis.

 São muitas reações diversas à essa crise, reações que podem se manifestar de várias formas,  desde sintomas físicos como, por exemplo, agitação, dores de cabeça , tremores , palpitações , cansaço ou emocionais como; sentimento de solidão, choro, isolamento, medo, sentimento de incapacidade ,tristeza, frustração , ansiedade, alterações no sono,ou até mesmo aumento substancial do uso de substâncias psicoativas como álcool e/ou outras drogas, e/ou recaídas para aqueles que se encontravam em período de abstinência.

Mas quando o assunto é RECUPERAÇAO o único requisito é o desejo verdadeiro de parar de usar, perder o desejo de usar e encontrar uma nova maneira de viver. Então, diante deste novo cenário os dependentes “adictos” em RECUPERAÇÃO desenvolvem suas próprias estratégias para lidar com a situação, que vai da negação à aceitação do problema e da realidade. E conseguem enfrentar estes impactos, permanecendo e/ou entrando em processo de recuperação e progressivamente se adaptando ao novo contingente.

Uma favorável em momentos como o que estamos passando para esses dependentes de álcool e/ou drogas “adictos” em processo de  recuperação, é a facilidade de readaptação ao meio, mesmo que esse, seja o  caos. Esse tem sido um momento propício de olhar para dentro de si, fazer uma auto-observação, se interiorizar e estar atento a si mesmo, ao outro e se reinventarem em seu processo.

Essa forma contribui para detectar os impactos que estão sendo causados nesse momento, observar as suas reações sócio emocionais e psicológicas, possibilitando adotar estratégias que contribuam para minimizar possíveis conseqüências negativas, o uso de substâncias psicotrópicas e uma possível recaída.  

E foi nesse contexto que milhares de dependentes de álcool e/ou drogas “adictos” em todo o mundo se reinventaram.  Impossibilitados de participarem de uma das ferramentas mais importante nesse processo; as reuniões de mutuo ajuda em de forma presencial. Deram continuidade em seus processos de recuperação, abrindo salas de reuniões de mutuo ajuda online.

Podemos citar vários exemplos concretos nesse contexto, um deles é Irmandade de Narcóticos Anônimos ou NA, fundada em 1953, é uma irmandade ou sociedade mundial, sem fins lucrativos, de homens e mulheres para quem as drogas se tornaram um problema maior. Essa organização é formada por “adictos” , que se  reúnem  regularmente para ajudar uns aos outros a se manterem  sem drogas.  Hoje no Brasil, Narcóticos Anônimos  conta com 1657 grupos presenciais,  que funciona com  4621 reuniões diárias contribuindo com a recuperação de milhares de pessoas que desejam parar de usar álcool e/ou drogas.

Portanto, é importante construir um entendimento, que a humanidade está passando por momento difícil, mas que é possível crescermos como pessoas e melhorar como seres humanos e sairmos mais forte dessa crise. Que é possível contribuir para que continuemos nos sentindo pertencentes a uma grande rede de relações, diminuindo o sentimento de solidão e desespero em relação ao problema, pois essas são primícias de muitos nesse momento, não só dos dependentes de álcool e/ou drogas “Adictos”

Neste sentido, os dependentes em RECUPERAÇÃO nos ensinam a empatia, a nos colocar no lugar do outro, acolhê-lo, recebê-lo, escutá-lo com o objetivo de compreender a sua nova situação.  Nos     ensinando também a nos   reinventar, olhar para dentro de nós mesmos e descobrir que podemos nos tornar melhores diante desse momento atual.

É preciso nos redescobrir e nascer para um mundo novo. Onde a empatia, solidariedade e compaixão, são uma tríade para compreendermos melhor a nossa condição humana em tempos que precisamos cuidar da nossa saúde mental. Enfrentando os desafios que o mundo nos impõe, mesmo que muitas vezes, nosso inimigo seja invisível, não palpável, mas que pode ser letal, e levar nossa vida ao fim. Se não tomarmos uma decisão responsável de cuidarmos de nós mesmos e dos outros  com um verdadeiro  sentimento de unidade, não chegaremos a lugar nenhum.

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