A Morte Não Manda Recado


(Ronaldo Luiz Rissetto – CEO MADD Brasil)

Durante os últimos anos, deparamo-nos com uma série de ações de mídia, revisitando o tema da “bebida e direção”, de forma descontinuada, é verdade, mas trazendo alguma reflexão para a sociedade. O ato descontínuo talvez seja a grande dificuldade que temos, como sociedade, para que o assunto se torne objeto de efetiva reflexão e discussão, no âmbito familiar.

Junte-se a tal dificuldade a sensação de impunidade, reflexo de uma lei que encontra brechas para que atos criminosos, como o de “beber e dirigir”, resultando em lesões permanentes, quando não fatais, sejam tratados com pagamento de cestas básicas, ou trabalhos sociais.

É verdade que, recentemente, tivemos algumas alterações na lei que trouxeram alguma luz no final do túnel, com a possibilidade de responsabilizar, efetivamente, quem assim agir fora da lei; mas, acima de tudo, somos uma sociedade com problemas sérios de falsas crenças que refletem ,sobremaneira, os comportamentos tóxicos, de que, diariamente, temos conhecimento pela mídia, por um aviso de luto, pela dor de uma mãe que vê seu filho aleijado, por encontrar pela frente um motorista de algum veículo automotor alcoolizado ou drogado.

Minha reflexão se sustenta pelo fato de que, ao inquirir qualquer pessoa sobre tal situação, todos se posicionam contra e alegam que beber e dirigir, ou usar qualquer outra droga e dirigir, não é aceito, definitivamente, não é; entretanto, também encontramos alguns mitos, ou diria, desvarios que levam essas mesmas pessoas a reverem o ato, quando se referem a si mesmas. Vejamos alguns mencionados por eles, diretamente ou indiretamente.

1) “Baixo nível de álcool de algumas bebidas não impacta no ato de dirigir, e também não será notado caso seja submetido ao “etilômetro” – Esta é uma das ideias mais perigosas, pois qualquer quantidade de álcool que você consuma, mesmo em pequenas quantidades, ainda que bebidas com baixo teor de álcool na sua composição, refletirão, de alguma maneira, no seu ato de dirigir, reduzindo a sua capacidade de reflexo e raciocínio, frente a uma situação de perigo. Quanto ao etilômetro, mesmo a cerveja, que tem esse nível baixo de álcool, trará um reflexo positivo no teste, pois ninguém consome apenas uma cerveja.

2) “Dar uma parada no consumo, limpa a corrente sanguínea” – Ouvem-se muitas histórias do tipo, em que amigos que estão bebendo juntos, um é selecionado para levar os outros para casa, e para de beber, mas continua no espírito da festa, por mais uma, ou duas horas, e então todos saem, seguros de que a pessoa, tendo parado algumas horas, está livre de qualquer risco. Vale mencionar que álcool, acima do limite, foi encontrado em pessoas que não bebem há mais de 18 horas.

3) “Alguns sucos de frutas neutralizam o álcool que se consome” – Não é verdade. Simples assim. Apenas o nosso corpo pode eliminar o álcool, e isso pode levar algum tempo. Além disso, tomar muita água, na saída de bar ou restaurante, na tentativa de diluir o efeito, também não funcionará na hora.

4) “Comer e beber ajuda a neutralizar o álcool” – Não é verdade. Em algumas situações, dependendo de alguns fatores, o que “comer e beber” juntos podem fazer, é diminuir a taxa de absorção do álcool pela corrente sanguínea, a partir dessa nova ingestão. Fato adicional é que, se a pessoa que começa a comer e beber, o fato de comer reduz o volume de bebida ingerida, normalmente

5) “Bala de Hortelã limpa o álcool do hálito” – Considerado dos mitos mais antigos e idiotas que existem. Disfarçar o cheiro de bebida é uma coisa; enganar um teste, que não funciona no “cheiro”, mas avalia o teor de álcool, é outra coisa.

6) “Lista de bebidas com baixo teor alcoólico ajuda a se manter sóbrio e abaixo do limite” – Um estudo muito interessante comenta que não podemos prever quanto de álcool irá para a corrente sanguínea, considerando, por exemplo, o baixo teor alcoólico de uma taça de vinho. Médias e circunstâncias individuais podem não se aplicar a você.

Enfim, o que existe de seguro é que, qualquer que seja o limite e o quanto você acha que pode ficar dentro dele, a única maneira certa, sóbria e legal de fazer isso, é não beber nada quando você planeja dirigir depois.

Lembre-se, ainda, que o seu comportamento afetará, sempre, o comportamento de seus familiares, quando não afetar a vida deles, pois a morte não manda recado.

Bibliografia:

1) Myths and Facts about Alcohol and Driving ( minnesotasafetycouncil.org )

2) 6-myths-drinking-driving – ( Monitech – Ignition Interlock Systems )

3) Myths and facts about drinking and driving – ( Sociéte de L´Assurance Automobile – Quebec )

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