A Importância da Conscientização dos Efeitos e das Consequências do Uso de Substâncias Psicoativas -Drogas

A Família e a Escola são seguramente as instituições que mais exercem influência na formação do indivíduo. A família, por ser a primeira instituição social na qual o indivíduo passa, é nela que se criam os primeiros elos que determinarão suas relações futuras; sendo inegável a importância de uma relação madura, honesta, sensível e harmoniosa entre família e escola. Pois, se é desejável, que os pais conheçam e participem da escola, não é menos útil que esta conheça os seus estudantes e a família de onde vem. (MAGNOBOSCO, 2016).

Há necessidade de proporcionar mais estudos sobre as consequências do uso de substâncias psicoativas durante o período gestacional na aprendizagem de crianças em fase pré-escolar; assim como, repensar as práticas escolares neste processo, o que nos permitiria ressignificar os caminhos entre os Sistemas de Educação Infantil e da Saúde Pública

Os danos causados pelo uso de SPA’s (Substâncias Psicoativas) durante a gestação, independente do seu grau nocivo, nos remete a carência de olhares críticos para as consequências futuras; dentre elas, as possíveis dificuldades e distúrbios na/de aprendizagem das crianças geradas; neste sentido, observa-se que, também, se faz necessário um trabalho preventivo desde a Educação Infantil à aplicação de uma educação especializada, sem conotações especiais; afim de promover ações que capacitem os docentes a nível preventivo; ofertando ferramentas adequadas para que estes possam transformar sua função e seu funcionamento. Ou seja, desenvolver ações preventivas, através de capacitações contínuas aos docentes, possibilitando a qualidade do processo de ensino-aprendizagem de aluno, de professores e da sociedade como um todo; inspirando a consonância entre a Redes de Ensino, da Saúde e da Família, resultando na qualidade de vida da criança. Buscando alternativas pedagógicas (como proporcionar a criança colocar em prática a vivência adquirida dentro de sua configuração familiar) e institucionais, e, articulando a prática educativa à realidade sociocultural.

Segundo Rubinstein (1992) a construção do conhecimento acontece não apenas sozinho, mas com a interação social. Portanto, se pensarmos, por exemplo, em fracasso escolar, é possível buscarmos articular a prática educativa à realidade sociocultural e resgatar em cada instituição a sua função de agente de transformação.

Mantovani de Assis (1976) sugere que é preciso que a sociedade admita o quão fundamental é a mudança de atitude por parte desta mesma sociedade em relação aos primeiros anos de vida da criança, que é prevalente, entre os psicólogos e educadores, o ponto de vista de que a estimulação adequada nos primeiros anos de vida é um fator indispensável para o desenvolvimento psicológico da criança. Desta forma, a educação infantil deveria assegurar às crianças, um ambiente moral e intelectualmente enriquecedor, capaz de compensar, por sua atmosfera e, sobretudo pela abundância e diversidade do material usado, a pobreza do ambiente familiar no tocante aos estímulos, à curiosidade e à atividade (Mantovani de Assis, 1976 apud Piaget, 1973, p. 10).

Piaget (1 977b, p. 89), aponta que “cada vez que ensinamos prematuramente a uma criança alguma coisa que poderia ter descoberto por si mesma, esta criança foi impedida de inventar e, consequentemente, de entender completamente”.

Ao escutar o professor Ronaldo Laranjeira, na live – Drogas, Família e Tratamento, no programa Sinapse, exibido em 10 de dezembro do corrente ano, ao ser falado no fenômeno/efeito da segunda/terceira geração… passei a refletir sobre as possíveis soluções, todavia, a médio e longo prazo; pois, ao me sentir instigada e motivada a buscar e a pensar  no atual cenário da dependência química por um ângulo que me gerasse uma menor sensação de desconforto, mesmo considerando tal sensação um potente combustível; encarando a complexidade deste cenário, e, finalmente tendo aceitado e compreendido que a solução para esta guerra somente se inicia a partir do indivíduo que sofre, uma vez que, o desejo de parar de usar, é a mais poderosa ferramenta deste indivíduo; pois, um adicto que não queira parar de usar, não vai parar de usar. Pode ser analisado, aconselhado, persuadido, pode se rezar por ele, pode ser ameaçado, surrado ou trancado, mas não irá parar até que queira parar. (Narcóticos Anônimos, 1993, p. 72). Posso então dizer que, durante 13 anos 05 meses e alguns dias, admitir, diariamente, a minha impotência contra as drogas, o que denotou a minha incapacidade, não apenas de realizar escolhas, mas de amar e de me sentir amada, e principalmente de ser livre, é uma tarefa árdua, que requer muito mais do que um suposto esforço meu, ou do outro; mas que é possível e simples! Mas não! Não é fácil… afinal, ninguém disse que seria; muito pelo contrário, seria uma batalha diária, e a guerra seria vencida (ou não) neste mesmo período de 24 horas.

Desta forma, acredito, verdadeiramente, no quão significativo é considerar a urgência em se dedicar esforços direcionados a prevenção desta doença, visto ser completamente evitável, todavia, não existe cura; que estes venham a afetar primordialmente a nova geração em sua primeira infância; avaliando e intervindo estas crianças e suas famílias de maneira assertiva  e humanizada; uma vez que, muitas delas vêm a desenvolver no futuro, para além das complicações médicas, outras de natureza comportamental e emocional.   

Karina Blum Tiengo

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